quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

The X-Files Revival Countdown - 6ª Temporada

Chegamos à sexta temporada. Confira aqui os reviews para a contagem regressiva para o revival de Arquivo X que foram publicados em página do facebook.


[Josi] Abrimos a sexta temporada com o fabuloso O Começo. Creio que esse nome foi dado para fazer relação com O Fim. É Mulder e Scully aprendendo a andar sem ter o conforto do departamento e os próprios documentos dos Arquivos X.


Como era de se esperar somos apresentados a muitas mudanças. Quer dizer, Mulder não esperava por tanto. Ele achava que ao vir do Ártico e depois de tudo o que ele testemunhou lá, eles teriam todas as provas e todo o apoio para retomar suas investigações a todo vapor. Infelizmente, ele estava enganado e os testes de Scully não tiveram os resultados que eles esperavam.

Honestamente, eu não sei o que Mulder queria que Scully fizesse. Ele queria que ela se levantasse e dissesse "Srs do Comitê, agente Mulder está falando a verdade. Eu não vi nada pois estava desmaiada ou atordoada, não consegui nenhuma evidência de nada disso, mas eu acredito nele. Acreditem também. Ele não mentiria, ok?". Bom, eu acho que isso não ajudaria em nada.

Por outro lado... putz, Scully! Já fazem mais de 5 anos, você poderia pelo menos ser mais clara e dizer a essa criança que acredita nele, que acredita que a paranormalidade existe, mas que não tem essa capacidade de sair por aí confiando apenas em disse-que-disse...

Para piorar a situação de Mulder, os Arquivos X são reabertos mas quem os assume são Jeffrey Spender e Diana Fowley.

Jeffrey Spender é um nojinho. Ser ambicioso não é nenhum problema... o problema é ele não ter talento o suficiente para subir tão rápido como ele quer e se agarrar nas barras das calças do pai nojento para alcançar seus objetivos. Ele sequer consegue ser miserável por si só. Ele precisa de ajuda pra isso. aff

Diana... bom, mais da metade do fandom a odeia por ela ser uma adversária ao amor de Mulder. Mas o buraco é muito mais embaixo. E vamos admitir... ela é boa. Boa até demais. Por isso que o Cança a coloca ali com Spender. Ele sabe que o rapaz não conseguiria nada por si só e arruma alguém competente para fazer o trabalho sujo. Não me matem, mas eu queria que Diana tivesse tido mais foco fora desse triângulo amoroso rídiculo... ela tinha força suficiente pra ter assumido o posto do Cança por exemplo, pois também nutria um amor distorcido por Mulder ao ponto de não querer matá-lo mas era muito ambiciosa para ficar do lado dele.

Quanto ao Canceroso... Acho que chegar perto da morte o fez ficar ainda mais emotivo. Como ele não conseguiu trazer o filho preferido para o seu lado, foi atrás do outro. Mal sabe ele que o rapaz é muito fraco para aquele tipo de trabalho...

O plot do episódio em si gira em torno das mesmas criaturas que vimos no filme. Um dos cientistas se infecta por acidente, a coisa é gerada usando seu corpo e o pessoal não é rápido o suficiente dessa vez para destruí-la.

Aí é que entra Gibson Praise. Coitado desse menino. Não tem ninguém do lado dele. Todos querem usá-lo para algum fim. Quando o Canceroso o sequestrou no final da quinta temporada, eles não o mataram mas o levaram para ser estudado. E com a criatura solta, o Sindicato o usa para localizá-la. Quando ele consegue fugir, ele vai diretamente até Mulder e Scully acreditando que eles vão protegê-lo. Pura ilusão pois apesar de não querer o mal do menino, a primeira coisa que Mulder faz é querer usar o menino da mesma forma que o Canceroso estava fazendo e Scully o convence a não fazer isso com o argumento que o garoto é a prova que eles precisam. Isso me deixa tão triste... Tanto que eu vibrei quando o menino jogou na cara de Scully que ele era apenas "um rato de laboratório muito especial". Queria que Mulder tivesse ouvido isso também pra ele ter vergonha na cara. Acho que por isso que ao final, Gibson não volta para eles...

Mulder cai como um patinho na conversa de Diana porque né, a gente não foge de nossa própria natureza e não precisa de muito mais do que "eu acredito em você" pra ele sair saltitando e amando a pessoa em questão. Mesmo que ela não ajude realmente com nada, o use e depois coloca a culpa de tudo nele. NeleS, pois Scully vai junto no momento de serem punidos e eles perdem até mesmo Skinner. Assim conhecemos Kersh, o novo supervisor deles.

Enquanto isso, Scully leva as patadas por não jogar com os sentimentos dele da mesma maneira. No entanto, ao final do episódio, ela dá a melhor tapa na cara que Mulder vai ouvir na vida. "Eu peço que você confie em meu julgamento. Que você confie em mim". Foi quase um "deixe de ser criança!". Toda aquela cena final é maravilhosa. E Scully trás a incrível descoberta de que compartilhamos parte de nosso DNA com os aliens que estão tentando nos colonizar... [/Josi]
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[Cleide] Drive apresenta um tom diferente do que estamos acostumados na série, o teaser intenso com a perseguição de carro passando na TV, os tons totalmente diferentes da cinzenta Vancouver. E Mulder e Scully em território totalmente novo... sem arquivo X, vigiados.

É importante destacar que o "monstro da semana" é o premiado ator que hoje em dia representa o brilhante Walt de Braking Bad.

Mulder, que não se intimida com nada, só de ver a perseguição pela tv se interessa pelo caso, e é claro, convence Scully a entrar nessa insanidade. Logicamente ele se mete em confusão e acaba sendo refém do fugitivo que tinha uma ordem clara: não parar de dirigir.

Scully genialmente acaba descobrindo que o que vitimava o casal não era uma epidemia, mas que eles eram cobaias do governo em uma experiência infelizmente de efeitos mortais.

Não é possível salvar Walt (quer dizer Patrick)... o que mostra a capacidade de Mulder de se arriscar para ajudar alguém que não conhece, mesmo se ferrando por isso. Mas a investigação de Scully salva várias pessoas, pois a agência responsável retira as antenas. [/Cleide]
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[Fê Monteiro] Finalmente chegamos a um dos episódios mais shippers da temporada mais shipper 'ever'!

Além de ter um enredo muito legal, Triangle conta com uma trilha sonora ótima, um figurino muito show (vocês sabiam que muitos dos trajes utilizados foram emprestados do filme Titanic – sim, aquele com o Leo DiCaprio e a Kate Winslet mesmo) e um recurso de filmagem diferente de tudo que havia sido feito até então em Arquivo X: a filmagem em tempo real. Ou seja, temos apenas dois planos sequência diferentes que ilustram o presente e o passado. Dentro deles a filmagem foi todinha feita sem cortes, então temos a impressão de estarmos “seguindo” os personagens de perto a todo o instante, o que dá uma certa realidade e fluxo temporal à coisa toda. Esse recurso foi utilizado recentemente em “Birdman”, que faturou a estatueta de melhor filme, e surgiu no cinema pela primeira vez com Hitchcock no clássico “Festim Diabólico”.

Efeitos e curiosidades técnicas à parte, o episódio narra as desventuras do nosso herói através do passado, que ele bem pensou que era o presente. Mulder jura que o navio “Queen Anne”, desaparecido desde a 2ª Guerra, surgiu em 1998 e fica beje quando se toca que foi ele quem foi dar o ar da graça em 1939. Claro que lá ele apanha e claro que ele encontra toda a turma à bordo, mas 'encarnados' em outras personalidades. Óbvio também que Cança e Spender são nazistas, Skinner parece do lado deles mas não está, Kersh não fede nem cheira e Scully é a mulher forte e de ética inabalável que vai salvar o mundo. Ou seja, um reflexo de sua realidade.

Enquanto isso, no presente, Scully move céus e terra, acompanhada pelos Pistoleiros Solitários, para conseguir as coordenadas e encontrar Mulder.

Com a Guerra estourando e a bomba à bordo, Mulder se vê encrencado. Se em sua realidade esse navio sumiu, ele nunca explodiu e tudo bem. Porém, se ele por algum motivo ressurgiu e vai continuar seu trajeto...boom! Então tudo que ele tem que fazer é convencer alguém a dar a volta e não seguir em frente. A única que o escuta, a muito custo, é a versão de Scully (a única em 5 bilhões mesmo em outro tempo-espaço) e como ele tem certeza que ela é Scully de alguma forma, tem certeza que ela vai conseguir, então se joga na água para tentar voltar. Maaaaaas, não sem antes beijá-la (na escuridão que CC sempre nos proporciona em cenas assim) apaixonadamente e levar um soco por seu atrevimento...rs

Com essa viagem toda, muito se especulou (e ainda se especula) sobre se tudo não passou de um sonho, um delírio de Mulder. Ou se realmente ele atravessou algum vórtice e entrou em uma dimensão paralela onde todos os seus conhecidos realmente estavam lá naquela época. Eu, particularmente, tendo a acreditar que ele realmente passou por tudo aquilo fisicamente de alguma forma, uma vez que ele sente a dor do soco ao final. Mas não descarto mudar de opinião.

O que importa mesmo é que tudo acabou bem, ou nós mesmos não estaríamos mais aqui...e que, tendo sonhado ou não, Mulder já estava mais do que convencido dos seus sentimentos quanto à parceira e que, aparentemente (se formos levar a cena do corredor de FTF em consideração, e temos que levar) ele já estava com vontade de estreitar essa relação e levá-la ao próximo nível há um certo tempo. Fica aparente também aqui que, o que talvez o estava segurando, era a sua incerteza quanto à reação de Scully – o que me leva a entender aquela frase que ele diz a ela mais tarde em One Son (na verdade você esconde muito bem os seus sentimentos) não como ironia mas como uma constatação da parte dele, quase uma reclamação...rs (não que ele fosse muito aberto também).

E ao final, ainda somos surpreendidos com um “Eu tem amo” olhos nos olhos de um Mulder grogue mas muito senhor de si (para ele pelo menos) a uma Scully muito cética, até mesmo para acreditar que o parceiro realmente estivesse lúcido para dizer aquilo.

Ah, mas aposto que isso rendeu uma insônia pra ela naquela noite. [/Fê Monteiro]
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[Josi] Mulder e Scully estão a caminho de checar mais um caso nebuloso quando no meio do caminho são interceptados... primeiro por um grupo de funcionários da Área 51 que não iam deixá-los passar assim tão facilmente e depois por uma força desconhecida que simplesmente faz Mulder trocar de corpo com um dos homens ali.

Enquanto Mulder fica absolutamente confuso, o outro homem, Morris Fletcher, age como se tivesse tirado o bilhete da sorte. Ele tinha ficado mais jovem, solteiro e com um emprego que eu não tenho certeza que ele achava excitante ou sem demandas, já que Mulder estava na fase do castigo sem poder investigar os Arquivos X.

Depois que o primeiro momento passou e Morris já tinha curtido umas férias e se aproveitado da aparência de Mulder, ele viu que algumas coisas são estavam do seu gosto e passou a agir ativamente para consertá-las. O passo mais urgente era puxar o saco do chefe e melhorar seu status ali dentro. Creio eu que qualquer coisa pra ele seria melhor do que ser o maluquete que caça aliens e monstros. Meu nojinho por Morris é muito grande. Ele poderia ter acabado com a cabeça numa pedra no final que eu não reclamaria. 

Scully fica no meio disso sem saber o que estava acontecendo e o porquê de Mulder estar tão diferente. De uma hora pra outra, ele deixou de ser um cavalheiro (no bom sentido da palavra) para se tornar um grosso, dedo-duro e aproveitador. E ele ainda deixa de se importar com o trabalho para dar em cima de qualquer mulher que passasse pela frente. Adoro como ela o ignora e continua com a investigação seguindo as evidências e tentando encontrar a tal fonte que ia contatá-los no deserto.

Mulder... bom, ele estava sobrevivendo como podia. Como pai de uma família problemática, ele foi um total desastre e sequer tomou um banho antes de sair. Mulder, porquinho. Enquanto estava lá, ele conseguiu ver pornografia na sala, não comprar leite para as crianças, insultar a filha e errar o nome do menino... uau! Mas temos que tirar o chapéu para o moço... ele não desperdiça uma boa oportunidade por pouca coisa. Assim que se vê no espelho, ele faz o melhor teste para saber se aquele era mesmo ele: uma dança totalmente sem noção. Eu só posso imaginar o quanto foi divertido filmar aquilo!

No trabalho, Mulder tenta tirar proveito da situação e descobrir o máximo possível do que acontece dentro da área 51 ao mesmo tempo em que procura uma forma de voltar a ser ele mesmo e, claro, fazer Scully acreditar no que tinha acontecido.

Para isso, Mulder tenta roubar a caixa preta da nave cuja queda causou aquele fenômeno para que Scully a analisasse, mas naquele ponto, ela já estava comprometida por Morris e foi obrigada a denunciar sua fonte. E como resultado, Mulder é preso. A parte boa é que toda aquela situação esdrúxula planta a semente da dúvida na Scully (ou lhe dá a certeza que ela precisava).

[CONTINUA] [/Josi]
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[Cleide] Scully finalmente percebe que a esquisitice de Mulder esta além do limite tolerável de bizarrice e percebe que aquela história de troca de corpos, pode ter lá seu fundo de verdade - depois de ver tantas coisas nos últimos anos, especialmente de gente maluca trocando de corpo com Mulder, era já pra ter uma certa "maldade" com isto.

Quando Scully é suspensa do FBI e "Mulder" lhe oferece um jantar caseiro, o sinal vermelho deve ter acendido na cabeça da moça que aproveita a oportunidade para pegar o impostor: "Baby me again and you’ll be peeing trough a cateter..” (tenho que dizer que algo Morris fez de bom: dar um quarto de presente para o pão duro do Mulder que nunca gastaria seu dinheiro com uma coisa fútil como uma cama...)

Mas a ficha da agente cair, foi só o início do problema, afinal, como desfazer um evento aleatório bizarro destes sem fazer com que Mulder acabasse com a cabeça dentro de uma pedra? Nem os Pistoleiros tinham uma teoria que ajudasse... e olha que eles detestaram Morris, não precisou de meia hora da presença da criatura para desejarem urgentemente a destroca.

A sorte deles, e nossa, é que o warp se expandiu e estava se encurtando novamente, bastava ficar em seu caminho para que a confusão se desfizesse, e apesar da despedida tão triste de Muder e Scully (eu te beijaria se não estivesse tão feio), tudo volta ao normal na vida nada normal de nossos queridos agentes... (fora o quarto novo que Mulder ganhou e nem quis saber quem deu...) [/Cleide]
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How the Ghosts Stole Christmas
(Como os Fantasmas Estragaram o Natal)

[Fê Monteiro] E lá vamos nós para mais um episódio de Natal (passou rápido esse ano...rsrs), mas este tem um final feliz, diferentemente de Christmas Carol/Emily.

Sem o menor espírito natalino e com a maior vontade de aprontar, tal qual um Grinch (fofo), Mulder chama Scully na noite de véspera de Natal para investigar uma casa mal assombrada, não sem antes lhe tecer toda a história trágica do casal que lá morou e que agora a assombra.

Logo de cara a gente até pensa: 'Que ideia! Nem é um caso!' - Exatamente! Este episódio (pelo menos ao meu ver) é como uma boa desculpa para colocá-los juntos no Natal e deixá-los vulneráveis às investidas psicológicas e emocionais das aparições. E isso é muito legal pois, com tudo que já enfrentaram por essa vida, ver Scully sensivelmente medrosa (irracionalmente, claro) a todo instante, não tem preço. Em contrapartida, Mulder parece um adolescente levando a amiguinha para um passeio na casa do terror do parque. Ele simplesmente precisa que ela entre com ele naquela casa e participe, do contrário, de nada serviria a aventura.

Bem, tendo ele escondido as chaves do carro dela ou não, como é levantada a questão, o fato é que ela queria estar lá, mesmo com todo o discurso de protesto e de “tenho compromisso, família, presentes blá blá blá”. Nesse ponto as análises feitas por Lyda e Maurice batem. Nos demais pontos, ou passa perto ou erra feio pois nossos agentes são muito mais complexos e profundos. Além disso, não são um casal de amantes (ainda) apaixonados (isso eles já são), alvo certo dos fantasmas todo ano naquela época.

Portanto, todo o esquema de separá-los dentro da casa e todo o diálogo trocado entre Maurice e Mulder, Lyda e Mulder e o pouco deles com Scully (que quer logo sair dali ao invés de bater papo), faz parte desses momentos chave e revelações que estamos recebendo e que ainda receberemos, desde o início da sexta temporada, no tocante ao relacionamento dos agentes.

O intuito dos fantasmas é transformá-los em mais um casal trágico, que embalados pelo triste espírito de Natal - cheio de consumismo, solidão e melancolia – matam um ao outro para que permaneçam juntos pela eternidade. Toda a ilusão é muito bem montada por eles, tanto que Mulder e Scully quase caem na armadilha que só funcionaria com um casal apaixonado (falo nada).

Pausa para lembrar da cara da Scully ao ver os buracos de bala nos fantasmas.
Pausa para lembrar de Mulder com cara de criança feliz ao presenciar Lyda “puxando” os livros da estante.
Pausa para lembrar do suspiro e da expressão de Mulder ao corrigir Lyda: “Nós não somos amantes”.
Pausa para lembrar de Mulder assustando Scully com a lanterna embaixo do rosto (sério, adolescente é muito).

De qualquer forma, é interessante notar que, apesar de todo o susto e da noite alucinante, tudo que o casal de aparições lhes falou sobre suas personalidades não entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Aquilo tudo fez os agentes pensarem sobre si e sobre como agem com o outro. Prova disso é o final mega fofo e inédito com Mulder e Scully trocando presentes após uma breve troca de confissões. Galgando assim, mais um degrauzinho em seu relacionamento.

E, como CC é CC, os créditos sobem e nunca saberemos o que eram os presentes (só o palpite de DD e GA na Comic Con...rs) ou que rumo tomou aquela conversa às tantas da noite. [/Fê Monteiro]
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[Josi] Acho que se alguém me perguntar que episódio eu menos gosto, eu diria este aqui. Odeio Wayne e acho uma pena que o castigo dele não tenha sido maior.

Wayne é um demônio que um dia acordou e quis ter filhos humanos. Como ele é uma criatura sem amor ao próximo (afinal, não é uma surpresa pois ele é um demônio), para garantir que esse seu desejo se realizasse ele saía enganando mulheres a torto e a direita, engravidava várias ao mesmo tempo na esperança de que em algum momento seus genes desistissem de interferir e ele conseguisse ter uma criança humana. É tipo se eu engravidasse e esperasse que nascesse um gato. Enfim, ele usava as mulheres literalmente como vasos com terra onde ele saía depositando as sementes nojentas dele e depois ele voltava pra ver se prestou ou não. Noooojo.

Quando ficava claro pelos exames de que nasceria outro capetinha, o carinha enfiava um líquido abortivo garganta abaixo nas mulheres, arrancava a coisa de dentro delas e assassinava a criatura. E para coroar tudo, ele ainda fazia com que as mulheres levassem a culpa caso fosse pego.

Como Mulder e Scully ainda estão fora dos Arquivos X, Spender que recebe este caso. E o que ele faz? Joga no lixo. Um fofo esse daí, não é? Afff No entanto... não sei como, mas Mulder monta o quebra-cabeças do arquivo e vai até lá conferir as declarações de Laura, uma das esposas, que afirma ter visto um demônio levando seu filho. Adoro como Mulder pega o jeito de Wayne de cara. "Eu sei o que você é", eita coragem! Scully, que estava lá bonitinha fazendo o que lhe mandaram, só se reuniu a Mulder depois.

Como uma reviravolta, acontece que uma das esposas não era exatamente inocente e era outro demônio que queria exatamente o que Wayne rejeitava: uma criança demônio. A "fofa" fazia o mesmo que Wayne mas em vez de matar demônios, ela matava os bebês humanos que gerava.

Wayne termina baleado pelo irmão de Laura e no hospital devolve a alma dela que ele havia retirado ao tentar matá-la quando ela estava começando a ver quem ele realmente era.

As partes que valem a pena nesse episódio são poucas. Uma delas seria Scully checando antecedentes e tendo que lidar com um senhor que com certeza não estava mentindo rs. Outra seria Mulder sendo extremamente irrante com Wayne. Ah, e claro, também é bom destacar que quem escreveu este episódio e todos os que revisaram, dirigiram, produziram, atuaram e editaram não lembraram que Mulder é sim um psicólogo. [/Josi]
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The Rain King (A Dança da Chuva)

[Josi] Esse episódio é uma fofura e super gostoso de se assistir. Dá até pra relevar como eles reforçam os estereótipos de gênero. Blergh.

Holman Hardt tem uma habilidade interessante e perigosa: ele consegue modificar o tempo de acordo com suas emoções... mas ele não tem o mínimo controle sobre isso. Exatamente como não temos controle sobre nossos sentimentos. Para piorar, ele nutre um amor não correspondido por Sheila Fontaine desde que eram adolescentes e vinte anos depois ele ainda não conseguiu confessar que a amava. "Não correspondido", na verdade, não seria a expressão mais correta já que a moça nunca notou que seu melhor amigo queria estender o relacionamento deles. Sheila não é exatamente observadora.

Sheila é apaixonada por um ser asqueroso que responde por Daryl, que a trata como um lixo e quer apenas se escorar em alguém que tenha algum dinheiro. ugh. Holman obviamente morre de ciúmes e, numa noite dos dias dos namorados em que ele achava que os dois comemoravam seu noivado, seus sentimentos geram uma nevasca (com granizo em forma de coração... ownnn). Daryl, fofo-sqn, dirigia bêbado depois de dar o maior fora e Sheila e acaba seriamente ferido. A culpa de Holman faz com que a chuva siga Daryl aonde ele vá e, numa terra de seca, ele se torna um rei.

Aí é que entram Mulder e Scully. O prefeito acha que Daryl não apenas faz chover mas também dá um jeito para que não chova em outros lugares para conseguir lucrar com o desespero dos fazendeiros locais e chama os agentes para investigar o caso. Em certo ponto, Mulder acaba percebendo que o verdadeiro sr do tempo são os sentimentos reprimidos de Holman e dá o caso como encerrado com apenas um conselho para que ele dê um jeito naquilo.

Holman, no entanto, tem outras ideias. Ele é outro iludido que pensa que Mulder tira proveito de sua aparência e é o maior conquistador do FBI e pede para o agente lhe dar conselhos amorosos... Como a insegurança de Holman gera um espesso nevoeiro, Mulder não tem alternativa senão ajudar. Infelizmente, o tiro sai pela culatra quando Sheila reitera que está apaixonada por Mulder.

Essa revelação apenas piora a situação da cidade, pois os sentimentos de Holman faz cair um violento temporal. Claro que isso não impede que o baile da saudade da turma de High School de Holman e Sheila ocorra. No meio da total e completa incompetência de Mulder nesses assuntos, Scully interfere e vai conversar com a outra moça. Com um discurso digno de ser mencionado como exemplo por shippers até mesmo de outros pares e outros shows (isso depois de praticamente assumir que ama Mulder mas nunca aconteceu nada entre eles), Scully convence Sheila a ir conversar com Holman.

Sheila decide que aquilo é a maior demonstração de amor que alguém poderia jamais sonhar e ela e Holman tem um final feliz digno de qualquer comédia romântica.

Cenas marcantes:

- A cerimônia de recepção do prefeito a Mulder e Scully.
- Os fazendeiros sósias dos agentes, juntamente com o divertimento de Mulder e o constrangimento de Scully.
- A vaca-bomba destruindo o quarto de Mulder e a forma cuidadosa com que Scully verifica se ele teve ferimentos na cabeça.
- Scully completamente cheia de tudo aquilo desde o primeiro instante.
- Sheila tascando o maior beijo em Mulder, enquanto ele se debatia aterrorizado por Scully e Holman terem visto a cena.
- As cenas de "luta" entre Mulder e Daryl.
- "Eu vejo a forma como vocês fitam um ao outro" - Holman sobre Mulder e Scully.
- "Hey, Holman! I do not GAZE at Scully" - descupa, gente... mas o impacto da mentira é maior em inglês...
- Mulder completamente fora do ar sem saber como lidar com a paixonite de Sheila.
- Os dois bocós, Mulder e Scully, no meio da pista de dança, com os ombros colados e se balançando.
- "Nem um beijinho?"

"Me parece que os melhores relacionamentos, os que duram, são frequentemente aqueles que nascem de uma amizade. Sabe, um dia você olha para aquela pessoa e vê algo a mais que você não tinha visto na noite anterior. Como se um botão fosse ligado em algum lugar. E aquela pessoa que antes era apenas um amigo é... de repente... a única pessoa com quem você se imagina." [/Josi]
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S.R. 819

[Fê Monteiro] Esse episódio é o primeiro que vem resgatar um pouco do tom sombrio, mais pesado e conspiratório próprio das temporadas passadas na longínqua Vancouver. Quase nos esquecemos que estamos na sexta temporada por um breve momento.

O tenso teaser mostra dois médicos discutindo sobre um paciente à beira da morte. Segundo a médica esse paciente é do FBI e uma tal agente Scully deve ser notificada sobre seu estado. Claro que na mesma hora temos a certeza de que estão falando de Mulder, mas para a nossa surpresa quem está hospitalizado é o Skinner, com as veias quase saltando do corpo. Ainda no teaser ele tem uma parada cardíaca e a médica pede que o deixem morrer (!). O som e o visor dos aparelhos nos indicam que a vida do diretor-assistente chegou ao fim.

Então somos levados 24h atrás. Skinner, que aparentemente treina boxe como hobby, está se saindo bem, até se distrair com alguém que o está assistindo e ser nocauteado. No hospital, o diretor recebe uma chamada no celular e, ao atender, uma voz sintetizada lhe diz, no melhor estilo Samara, que lhe restam apenas 24h horas de vida. O ciclo se fecha e sabemos que a correria vai começar.

Mulder, que sabe-se lá o que está fazendo (atirando lápis no teto) no Bureau às dez da noite, vê seu ex-chefe cambaleando pelo corredor e entra em sua sala para saber se ele está bem. Meia hora depois Scully já está se juntando ao time, examinando Skinner e diagnosticando um possível envenenamento que pode ter sido aplicado até mesmo com um simples toque na pele.

Mulder e Scully, cada um para um lado, começam sua correria contra o tempo, a la Jack Bauer, na tentativa de encontrar quem o envenenou, por que e como salvá-lo. Mulder procura o Senador Matheson atrás de respostas para as primeiras perguntas. O fato é que, por algum motivo, a iminente morte de Skinman parece estar associada ao S.R. 819, um Projeto de Financiamento que visa arrecadar fundos e recursos de tecnologia médica para a OMS e que iria passar por sua supervisão. O Senador, porém, deixa claro que não pode salvá-lo.

Scully vai ao Hospital onde Skinner passou e consegue acesso às amostras de sangue coletadas para exame. Fica claro que seu sangue não está normal, mas cheio de algum metal pesado ou algo do tipo só de olhar para o tubo. Na análise Scully e o médico que o tratou, descobrem que o sangue está cheio de moléculas de carbono. E mais: elas se reproduzem vertiginosamente. E além disso: se comportam ordenadamente, criando barreiras no sistema vascular, o que pode causar um ataque cardíaco a qualquer momento. Ou seja, todo o sangue de Skinner está “se voltando” contra ele.

Todas as pistas levantadas por Mulder, seus questionamentos ao Senador, todo o Projeto que parece ser o motivo das ameaças e fazer parte da conspiração, tudo é muito vago e fica apenas como pano de fundo para a tecnologia da qual o assassino em potencial se apropriou.

Vamos descobrir então que essas moléculas de carbono são nanorrobôs controlados remotamente pela mesma pessoa que fez as ameaças pelo celular e que pode matá-lo com um simples comando. A mesma pessoa que estava no ginásio observando Skinner e que o está espreitando a todo momento, conforme ele vai se lembrando: o barbudo/cabeludo Krycek disfarçado, aquele que só trabalha a seu próprio favor.

Ao final das 24 horas ele chega a deixar Skinner “morto” por alguns instantes, para então ressucitá-lo. Fica bem claro que o que ele quer é ter aquela vantagem: a vida do diretor-assistente em suas mãos e que ele saiba disso. O que ele vai querer? Ainda não sabemos.

Nota: Inicialmente a vítima seria mesmo Mulder, porém a produção chegou a conclusão que eles não poderiam fazer aquilo, pois a audiência jamais acreditaria que eles seriam capazes de matar o personagem principal, podando assim um pouco do suspense. Em contrapartida, a morte de um personagem secundário era sempre uma possibilidade real e crível e Skinner foi a solução perfeita. [/Fê Monteiro]
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Tithonus

[Cleide] Existe uma certa teoria da conspiração entre os fãs de Arquivo X de que Scully seja imortal. Em parte esta teoria se corrobora com os acontecimentos de Tithonus, tendo se iniciado em "O repouso final de Clyde Bruckeman", quando este médium - que previa as mortes das pessoas - diz que Scully não morreria.

O episódio inicia-se com a tentativa sutil de Kersh de separar Mulder e Scully, segundo ele, Mulder não tem mais jeito, mas ela pode não ser um caso totalmente perdido. Ele também afz referências de que o agente Payton era um agente promissor, como ela foi um dia.

Mas acho que de certa forma, todos os tiros saíram pela culatra neste episódio, pois Scully não é mais a mesma, ela não sabe mais seguir os caminhos ortodoxos de investigação, da mesma forma que Mulder não consegue mais ser intuitivo, sem o trabalho duro na comprovação que a parceira o ensinou, a interação dos dois o mudou em um nível quase molecular. Então, o tal agente jovem e ambicioso, acaba logo se irritando com Scully e a ameaçando, o que não surte o menor efeito com a agente que continua agindo do jeito que achava mais adequado, e realmente totalmente fora do padrão...

No final das contas, todo mistério se encerrava na capacidade do suspeito de prever a morte das pessoas devido à sua grande vontade e incapacidade de ser levado desta vida. O problema é que ele acaba prevendo a morte de Scully, que entra em desespero e quase que vai mesmo dessa vez, por um tiro do incauto agente que lhe deram como parceiro neste caso.

Mas usando do mesmo artifício que o "monstro da semana" usou para se tornar imortal, Scully fecha os olhos para não ser levada pela morte... e finalmente o estranho fotografo pode descansar em paz.

Destaque para o ato final do episódio, Scully perguntando se não valeria a pena viver para sempre pois o amor duraria para sempre, e recebe a resposta de que o amor dura no máximo 75 anos com muita sorte (a cara de sofrimento da agente nos mostra que no fundo ela era bem romântica). E a cena de gelar os ossos (que escolhi para ilustrar este resumo) em que vemos Scully em preto e branco, como o fotógrafo vê quem vai morrer... [/Cleide]
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Two Fathers (Dois Pais)

[Josi] Interessante o nome desse episódio pois ele ignora totalmente o fato de que há na verdade dois filhos e um pai ali. Todos já entendemos que Canceroso é o pai de Mulder. Então, a meu ver, o título se remete ao trabalho conjunto dos dois pais de Mulder no projeto.

Não vou detalhar muito do episódio aqui pois ele merece um longo post que faremos em breve no blog. São muitos detalhes que merecem ser esmiuçados um a um.

Creio que Chris Carter estava se preparando para terminar a série em breve. Pelo que eu lembro, havia uma história de que o contrato de Duchovny acabava ali no final da sexta (e que ele aceitou prorrogar por mais um ano). Explica como ele passou a tratar a mitologia de uma forma bem mais clara. Logo depois do teaser, vemos o Canceroso explicando passo a passo do que era a conspiração, os homens por trás dela e o que eles queriam com aquilo.

A queda do OVNI em Roswell fez com que os líderes mundiais descobrissem que uma raça alienígena estava se preparando para destruir a humanidade e tomar conta da Terra. Como forma de sobrevivência, eles aceitam ajudar esse aliens em seu propósito. A ideia dos aliens era que fosse desenvolvidos híbridos que, ao sobreviverem a devastação, se tornariam seus escravos. Impressionante como você pode sair até da galáxia, mas a forma de colonização é sempre a mesma. Enquanto trabalhavam nisso, eles buscavam outras formas de sobreviver ao mesmo tempo em que prorrogavam a data final. Todos sabemos como eles faziam isso de forma "ética e humanitária", basta ver a forma como trataram as próprias famílias e outras pessoas inocentes.

O fato é que o híbrido humano-alien, Cassandra, estava pronto, o que não era nenhum motivo para comemoração, isso apenas significava que a ocupação poderia começar a qualquer momento. O médico responsável pela pesquisa foi até lá justamente para destruir sua criação e impedir que isso acontecesse. Antes disso, os rebeldes alien vieram e mataram a todos, deixando apenas Cassandra viva para que o projeto fosse exposto. Creio que eles tinham os ideais parecidos com os de Mulder. Queriam que toda a humanidade soubesse o que estava acontecendo e se juntasse a eles na luta.

Mulder, no entanto, juntamente com Scully, ainda está fora dos Arquivos X e cada dia mais revoltado e desmotivado. Sua parceira vai achá-lo jogando basquete e, algo que a tradução das legendas não quis retratar, só Deus sabe o por quê, cheio de gírias. Gente... que fofo. E, claro que cabe à Scully ir lá tirá-lo daquele estado.

Mas numa amostra de maturidade única, Mulder resolve dar o maior PLAH da história (depois do da Scully nele mesmo em O Começo) em Spender e mandou ele passear junto com toda sua baboseira de que ele queria sua ajuda. Confesso que eu mesma tinha caído na dele. Eu estava tipo "vai Mulder vai! você está mais perto do que nunca!" (kkkkk não tanto... mas quase). Adoro a expressão de Mulder nessa cena e como ele ficou satisfeito em mandar o irmão ir catar coquinhos.

O problema é que este caso era muito especial e muito crítico. Infelizmente, não havia escolha para eles a não ser se envolver. Scully mais uma vez o instiga a continuar pois havia evidências de sua abdução e do que haviam feito com ela. Assim, eles seguem para ver Cassandra, que ameaça fazer xixi nas calças de tão feliz que estava em ver os dois ali.

Gosto da postura de Scully. Ela parou de negar o que ouvia. Ela não falava abertamente que acreditava, ainda estava hesitante, mas percebeu de cara que não havia espaço para mais perguntas ali e sim a necessidade de respostas. Tanto que quando Mulder, ao ser descoberto junto com ela fazendo investigações sobre assuntos a que foram terminantemente proibidos, continua seu comportamento obtuso, ela continua a busca e o traz mais uma vez de volta ao trabalho.

Enquanto isso, Jeffrey Spender se comportava como o paspalho que era. Arrogante, ambicioso e com inveja de Mulder, não percebia que estava sendo usado e moldado. Seu próprio pai queria, mas não conseguia ver força no garoto. A criatura fazia apenas o que ele mandava e ponto. Ele perdeu até mesmo qualquer tipo de respeito ou pena que Skinner tinha por ele. Aposto que não houve aquele que não assistiu com satisfação o Cança dar uns tabefes nele. Mas, como nunca é tarde para se endireitar, o amor por sua mãe falou mais alto e, ao saber tudo o que foi feito à ela à mando do pai, ele finalmente lhe deu as costas.

Até que Jeff chegasse a estas conclusões e se recuperasse do choque de saber que aliens eram algo real, Mulder e Scully já tinham juntado toda a documentação que detalhava como o projeto havia sido desenvolvido (não me pergunte como.... eu também gostaria muito de saber como essa papelada estava simplesmente por aí) e já tinham concluído a importância de Cassandra nisso tudo. Algo que ela mesma descobriu por si mesma e enfim percebeu que só havia uma saída, algo que o Cança sabia desde o início, e mandou o médico fazer o serviço sujo pois ele mesmo não teve coragem: ela deveria morrer.

Assim, ela segue até o apartamento de Mulder e pede que ele a mate. Que bom que Scully o impediu pois não acho que uma bala seria o suficiente. De qualquer forma, assim termina o episódio e ficamos na dúvida... será que Mulder vai mesmo atirar?

[CONTINUA] [/Josi]
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One Son (Um Filho)

[Fê Monteiro] O teaser do episódio começa com a imagem dos “Dois Pais” e quem o narra é o “Um Filho”.

A narração conta a importância daquela guerra silenciosa, que tornou qualquer outro conflito que já houve na história da humanidade, quase insignificante. 50 anos de conspirações que envolveram a morte e o sacrifício de milhares de pessoas, sem que, contudo, o resto do mundo tomasse conhecimento.

Essa introdução vem dar uma ideia de como esse duplo episódio vem encerrar a mitologia (em grande parte ao menos) desenrolada ao longo de seis anos. Pois, apesar dos epis mitológicos continuarem aparecendo eventualmente, não veremos outro encerramento de tantos assuntos como vemos aqui. É o fim de um ciclo, mas deixa a desejar em alguns pontos.

Primeiro, temos pouca ou quase nenhuma participação efetiva de Mulder e Scully nos acontecimentos. O que é estranho, uma vez que, ao longo das temporadas, eles se tornaram praticamente o centro da conspiração. Aqui eles aparecem como agentes passivos, principalmente Mulder que está irreconhecível. Talvez pela falta dos Arquivos X, pelo desânimo, mas nada disso justifica suas decisões no mínimo egoístas ao final do episódio. Sorte que Scully está lá para salvá-lo de si mesmo, mais uma vez.

Como bem colocado no review de “Dois Pais” ontem, não convém expor os detalhes desse episódio aqui. Ele também merece uma análise mais aprofundada e digna, que será feita e postada em breve no blog.

Porém, vale comentar alguns pontos válidos, brevemente aqui. Tipo? Tipo a cena do chuveiro, claro! A cena que causa arritmia em 11 a cada 10 shippers. Alías, todo esse episódio é uma montanha russa de sentimentos para os shippers, se CC entrega de bandeja essa cena no início joga baldes e mais baldes de água gelada no restante dele. (Desnecessário é pouco para falar sobre aquele beijo.)

Mas, voltando para a cena do banho de descontaminação no Ft. Marlene, com uma muretinha separando os dois. Sabemos que já se viram nus uma dezena de vezes, mas nunca houve uma tensão tão grande ou tanto desconforto por parte de ambos como presenciamos dessa vez. Isso mostra como as coisas mudaram, como o relacionamento deles passou para algum estágio que não tem volta.

Falando em tensão, praticamente todos os diálogos trocados entre os agentes nesse episódio são absurdamente tensos e angustiantes. Temos o emblemático “Você esconde seus sentimentos muito bem” (Mulder para Scully). Temos também um “Porque você não me deu motivos para agir de outro modo” (Mulder para Scully sobre como ele pode seguir confiando em Diana Fowley mesmo com todas as evidências a colocando diretamente ligada à conspiração) – essa é de cortar o coração, até os pistoleiros se entreolham. E ainda temos um “Você está tornando isso pessoal” (do ogro do Muder para Scully), mas pelo menos temos o big PLÁH (peço licença poética meninas) de Scully para Mulder: “Porque é pessoal. Porque sem o FBI, interesse pessoal é tudo que eu tenho. E se você me tira isso, então não há razão para eu continuar.” - toma essa.

Enquanto isso, o Sindicato chega ao seu fim, Cassandra que entendeu finalmente o que ela havia se tornado e rogava por sua morte, aparentemente não morre. Marita reaparece toda lascada devido aos testes com o óleo negro. Krycek tenta conseguir o feto alien e descobre que os rebeldes sem rosto chegaram antes e que isso significa que eles perderam (e salve-se quem puder). O Canceroso e a Fowley conseguem escapar do churrasquinho e Spender tenta se redimir, entendendo que tudo aquilo foge à sua compreensão e capacidade e admitindo para Kersh, na frente de Mulder, Scully e Skinner, que só o casal de agentes tem as respostas e que são eles que devem estar à frente dos Arquivos X pois ele estava errado o tempo todo. Pena que essa constatação vem tarde demais e seu pai já o aguardando em seu escritório para concluir sua justiça, uma vez que seu filho não o honra domo o filho de Bill Mulder o honrou. Triste “fim”. [/Fê Monteiro]
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Agua Mala (O Perigo Vem da Água)

[Cleide] Aqua Mala é um destes episódios em que os agentes enfrentam forças estranhas da natureza. O monstro é um tanto quanto estranho e assustador - bem nojento ao literalmente liquefazer as vítimas em pouco tempo.

Uma coisa que me deixa sempre intrigada, é o nível de loucura de nossos protagonistas, viajar para Flórida durante um furacão, atrás de uma pista nebulosa sobre um Arquivo X? É muita loucura minha gente, não nego o bordão repetido durante o episódio de que “todo maluco vai para Flórida”, vai mesmo!

O ponto alto do episódio pra mim, é a polivalência da Scully, primeiro Sr. Dales a menospreza bastante... chega a perguntar para Mulder por que a levou atrás dele se ela não era fácil de convencer. Então, os agentes entram em ação, e o ex agente fica acompanhando por rádio a proatividade da moça. E nós também acompanhamos de boca aberta (por que como Mulder um dia vai dizer, Scully não para de nos surpreender), a moça cuidar do Xerife, fazer um parto em condições precárias, salvar Mulder e matar o monstro, tudo com uma arma de um maluco apontada para sua cabeça. O que faz no final, com que Dales se retrate dizendo a um relutante Mulder (afinal, quem o salvou foi o gato #SQN) da grande sorte que ele teve de ter uma parceira tão incrível... “se eu tivesse alguém assim ao meu lado, talvez não tivesse me aposentado”... convenhamos, não é preciso que ninguém reafirme o valor de Scully, mas depois de “One Son”, acho que Mulder bem que precisava escutar isto, ah se precisava! [/Cleide]
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Monday (Segunda-feira)

[Josi] Este episódio é um dos mais divertidos da série. As pessoas têm problemas com a sexta e a sétima temporadas por não serem tão dark como as primeiras, mas poxa... como não amar episódios assim?

Segunda-feira, Mulder acorda molhado. Não... não é isso que você está pensando. Nem essa outra coisa também, hehe. Seu belo colchão d'água, que ele nunca soube de onde veio (hã?), furou. Esse pequeno acidente engata diversos outros que o tiram de sua rotina no FBI (ele tem uma, gente. hahahahahaha)

Como não amar essa produção que decidiu colocar Mulder só de calça de pijama meio molhado andando pra lá e pra cá pelo apartamento? 

Não consigo decidir o que é melhor dessa primeira parte. Se ele acordando sem entender nada ou sua tentativa de não perder a calma ou a fofura com que ele fala com a pessoa ao telefone à princípio ou se ele caindo... oh, pera... eu sei qual eu gosto mais. Essa. Essa é minha parte favorita. Amo ele caindo. Tadinho... Ai, gente... DD sabe como ser hilário.

Na segunda parte, ele vai até o FBI e todas as interações com Scully são fabulosas. É sempre maravilhoso quando você encontra pessoas que conversam essas coisas viajadas com você.

E Skinner? Muita pena dele ali... Mulder e Scully não dão folga a ele nem em algo corriqueiro como produzir relatórios e metas. Mas sempre me admira Scully não mandar Skinner praquele canto quando ele cobra que ela mantenha Mulder na linha. E ela é paga pra ser babá, é? Ouxe!

A terceira parte em que o episódio é dividido é a do banco e do casal formado pela mulher extenuada, Pam, e o assaltante, Bernard. Muita pena dos dois. Ele, provavelmente cansado de uma vida de injustiças e má sorte (nem por isso ele deixa de ser um idiota com a companheira aff), resolveu que ferir várias pessoas inocentes era a solução. Ela, coitada, pagou por todos os pecados que pode ter acumulado durante a vida. E mesmo assim, ela não desistiu de fazer o que era correto e tentou à exaustão mudar o curso da história pra conseguir sair daquele inferno.

Pequenas coisas me incomodam:
- Num dos momentos da reunião, mostram eles usando uma espécie de quadro com gráficos... daí um dos carinhas vai sentar lá atrás da coisa. Seu mané, você não consegue acompanhar a apresentação daí! Aff
- Por que Mulder tinha que pagar pelo conserto imediatamente? Não iam ter que fazer orçamento e tudo o mais antes? Dava tempo dele depositar o cheque na hora do almoço.
- Eles poderiam ter acabado com essa história atirando na cabeça do assaltante... ou não? Muitas vezes ele não estava com a mão no detonador... um tiro no lugar certo resolveria o problema.
- Por que cargas d'água Mulder deu sua arma para o cara? Ok... ele queria dar um sinal de confiança. Mas a arma tinha que ir carregada?
- Me admira que a própria Pam não tenha nunca tentado entrar no banco...

O final é muito triste. O desenrolar correto da história era que apenas Pam morresse. E para que isso acontecesse, ela teve que viver aquele pequeno inferno várias e várias vezes. [/Josi]
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Arcadia

[Fê Monteiro] Primeiramente: Quem é shipper e nunca sonhou (ou escreveu/leu fanfics) com um caso onde nossa querida dupla de agentes tivesse que se disfarçar de casal, que atire a primeira pedra! É uma premissa ótima pois gera situações impagáveis que jamais teriam chance de ocorrer sob circunstâncias normais (se é que elas existem em AX).

Arcadia é um condomínio que personifica o sonho americano. Tudo é perfeito demais e existem muitas regras para que tudo continue dessa forma. Algumas dessas regras são extremamente exageradas, como a luz da frente não poder ficar apagada nem por alguns minutos (pobre Big Mike), não poder colocar nem uma decoraçãozinha na área externa, ter cachorro de médio porte, enfim, pra que viver né?! Acho que nem crianças são permitidas, não vi nenhuma pelo menos...rs. Eu não aguentaria morar num lugar desses.

Acho interessante que Mulder em um momento ressalta como Scully se encaixaria bem morando ali, por seu perfil de pessoa organizada, certinha aos olhos dele. E isso me lembrou que em “Max” na 4ª temporada, Scully cita como Mulder se encaixaria bem vivendo em um trailler minúsculo com o mínimo necessário para sobreviver e em meio a uma grande bagunça. Eles realmente são os opostos perfeitos...own. - Mas acho que nem Scully aguentaria um lugar desses.

O fato é que algo de podre está acontecendo no Reino de Arcadia e alguns moradores desaparecem sem deixar vestígios. E é aí que entram Mulder e Scully, ou melhor, Rob e Laura Petrie (Pitriii). O “casal” chega com a mudança para morar na casa do último casal desaparecido e logo de cara percebe que as regras ali são levadas mortalmente a sério. Onde já se viu toda a vizinhança se matando para ajudá-los a descarregar todo o caminhão impreterivelmente antes da 18h? Lugar ótimo para quem tem 'toc' morar! A primeira vista os vizinhos até parecem muito prestativos, mas é medo mesmo. Apesar que, quando a verdade se revela, entende-se que eles querem ajudar os novatos realmente, salvá-los. Afinal, quem não segue as regras à risca por ali se dá bem mal.

O Sr. Gogolak, o presidente da comunidade, é a pessoa que cuida para que tudo esteja impecável sempre. O cara é um ditador e sua mania se torna uma tirania. Ele cria um golem que, sob sua vontade de manter tudo em ordem, mata aqueles que saem da linha. Mas como todo criador louco de AX, uma hora ele perde o controle sobre sua criatura.

Mulder, no caso Rob, já vai logo chegando com uma tabela de basquete para deixar na frente da casa. E quando liga os fatos e percebe que coisas horríveis acontecem com quem desobedece às regras o que ele faz? Toca o rebelde, claro! Aliás, o que são aqueles flamingos de jardim gente? Muito brega! Aquilo deveria ser terminantemente proibido em todas as casas! Só acho.

O mais legal mesmo é ver Mulder constantemente provocando a parceira. Ele a abraça, segura e gruda nela sempre que tem a chance, principalmente na frente dos vizinhos, pois dessa forma ela não tem como fugir hahahaha...como não amá-lo? Scully fica toda incomodada e sem graça, será medo de não resistir...rs? Como a parte em que estão na casa do Sr. Gogolak, sentados coladinhos e, por um momento ela se distrai e se pega acariciando a mão do parceiro. Quando percebe puxa rapidinho e disfarça. Bobinha...rs. Ou será que ela ainda está tiririca da vida com ele por conta das atitude dele em “One Son”? Eu estaria! Rs. O fato é que ela tenta evitá-lo a todo custo, afinal para que mais aquela máscara verde, que nós sabemos que ela não usa? E nem assim ela o intimida: “Vem Laura, somos casados agora”...” 'Scully'! Boa noite Mulder”...então tá né.

Momentos que temos que lembrar:
- Mulder (com cara de safado) perguntando para Scully se quer que ele grave o vídeo da lua de mel.
- “Mulher, volte aqui e me prepare um sanduíche!” seguido de luvas na cara.
- Toda a cena do “casal” jantando com o casal de vizinhos. Desde a piadinha sobre os golfinhos com a risada mega forçada da Scully, passando pela história de como se conheceram contada por Mulder e a cara de “depois te mato” da Scully até a tentativa de um beijinho de despedida do Mulder, sem sucesso. Ô mulher forte!
- As típicas broncas de uma esposa Scully em Mulder: pasta de dente, tampa do vaso etc.
- Mulder chamando Scully para deitar-se com ele. [/Fê Monteiro]
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Alpha

[Cleide] Esse caso me lembrou um pouco a história do Manitu da primeira temporada, a história de animais mitológicos que encarnam em pessoas. Neste caso, Detweiler, obsessivo em pegar o animal que era considerado extinto, acaba se tornando ele mesmo o animal, um mutante que à noite literalmente libera seu lado selvagem.

Mulder não revela inicialmente como o caso lhe chegou às mãos, só que teve uma dica de especialista. Ao viajarem para o local, Scully continua questionando a veracidade da história, se aqueles assassinatos seriam mesmo obra de um cão, e fica um tanto reticente quanto à lenda chinesa.

Ao visitarem pela primeira vez Karin Berquist , Scully percebe que a motivação da estranhíssima mulher era conhecer seu parceiro, e então passa a duvidar mais do caso, não teria ela inventado isto tudo só para ver Mulder pessoalmente? (eu não a culparia)

A cena de Scully toda protetora indo confrontar a Karin é ótima, quase tão boa como a que ela confronta Mulder dizendo que a mulher está enamorada por ele... ela se mostra muito possessiva, e Mulder fica calado (depois de falar que ela não demostra muito bem o que sente em One Son, não podia reclamar quando ela se mostra enciumada e territorial).

No final das contas era um misto de tudo, Mulder desvenda o caso descobrindo que Detweiler era o trickster que se transformava em cão, Scully tinha lá sua razão sobre Karen, mas ela também percebe que enganou Mulder para conhece-lo e acaba se sacrificando para salvá-lo.

Sabendo que Mulder iria ficar arrasado com o fato da amiga virtual dele tendo se sacrificado para salva-lo, Scully vai solidarizar-se com o parceiro, e percebam que a espertinha muda totalmente o discurso sobre Karin depois que percebe que ela se arriscou para que ele não fosse pego pelo cão, decide elogiá-la. O Poster da amiga de Mulder, vem completar o cenário que já conhecíamos tão bem antes do porão pegar fogo...

Sabendo que Mulder iria ficar arrasado com o fato da amiga virtual dele tendo se sacrificado para salva-lo, Scully vai solidarizar-se com o parceiro, e percebam que a espertinha muda totalmente o discurso sobre Karin depois que percebe que ela se arriscou para que ele não fosse pego pelo cão, decide elogiá-la. O Pôster da amiga de Mulder, vem completar o cenário que já conhecíamos tão bem antes do porão pegar fogo... [/Cleide]
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Trevor

[Josi] Pinker Rawls não é um bandido comum. Não. Ele é uma pessoa sem nenhum tipo de empatia por outro ser humano e extremamente violento. Que outro tipo de pessoa reagiria a uma piada idiota fincando um prego na mão do criador dela?

Quase dá pra entender a atitude do diretor ao mandá-lo praquela caixa no meio de um tornado (não dá não... aquilo também foi uma tentativa de assassinato). No entanto, aquele castigo mórbido acabou se convertendo em algo que Rawls deve ter pensado ter sido um golpe de sorte.

O que ele faz com sua recém adquirida habilidade? Mata o diretor, lógico. Acho muito interessante como ele entendeu rapidamente o que ele poderia fazer e como. Ele não faz nenhum mini treinamento como o homem aranha precisou fazer. kkkkk

Depois de cumprir com essa tarefa importantíssima, ele sai em busca de sua ex-namorada, June, pois ela tem algo que lhe pertence: um filho. Para isso, ele sai matando pessoas e novamente me deixa admirada por não matar a irmã de June nas vezes em que ele teve a oportunidade para isso.

Vamos perder algumas linhas aqui para falar do namorado atual de June. Que babacão. A pobre não tem sorte mesmo. Tá que ele poderia estar decepcionado por ela ter mentido, mas não ter nenhuma pena ou interesse com o que pode acontecer com ela? É muito amor, gente!

June, coitada, aterrorizada como estava, contou a verdade de onde estava o garoto. E daí entendemos que a irmã dela pode ficar com medo mas partia para luta. Primeiro a faca e agora ela nem parou pra pensar no porquê do líquido ter passado direto pelo rosto do idiota e meteu na cara dele a panela, que para sua sorte era de vidro.

Eu realmente gosto que quem deu um fim a Pinker e sua onda de violência foi June. O que eu realmente não gostei foi Mulder responder que o detento queria uma segunda chance, remetendo ao que ela mesma disse antes. Sim, Mulder, porque você cometer o erro de usar o dinheiro de um roubo para refazer a vida é o mesmo de assassinar pessoas de forma brutal por motivos banais e depois sair atrás de uma criança como se ela fosse uma propriedade sua. Não esquecendo que ela mesma deve ter sido vítima dele por muito tempo até que teve a sorte dele ser preso.

A parte MSR do episódio é de nos matar um pouquinho. Como não amar o "Scully" de Mulder quando ela sugere um motivo paranormal? E depois ele segue na piada porque não seria Mulder se ele não fizesse isso. "Querido diário, hoje meu coração falhou uma batida ao ouvir a agente Scully sugerir combustão humana espontânea." Que fofo!!!

Outro ponto que merece destaque é como Scully está realmente mais aberta para teorias paranormais. Cada vez que Mulder expõe sua teoria, ela aceita mais como verdade e apenas questiona como a ciência explicaria aquilo. [/Josi]
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Milagro

[Fê Monteiro] Esse episódio é de uma complexidade e profundidade que dá até medo. Muitas pessoas não gostam muito dele, outras o idolatram. O fato é que, não importa quantas vezes você o assista, cada vez ele pode ser interpretado de uma forma nova e gerar teorias intermináveis. Por quê? Porque ele basicamente tenta destrinchar os personagens, nos leva a uma análise profunda de suas personalidades e serve de metáfora à relação que os escritores e o próprio CC têm com sua criação. É como uma constatação: chega um momento que os personagens, bem escritos e consolidados ao longo de tantos anos, criam vida própria. Eles fogem ao controle, inclusive de seus criadores e se tornam tão reais que saber o que acontece em seguida e o que se passa em suas mentes torna-se um desafio.

Tudo é centrado em Scully aqui. Uma vez que Padgett é obcecado por ela e a segue, nós passamos a vê-la como ele, através da câmera que lança um olhar novo sobre a agente, mostrando ângulos aos quais não estamos acostumados, revelando uma sensualidade que tanto foi evitada até aqui e descrevendo-a intimamente pelos monólogos do escritor. Como ele mesmo fala, ela passa sua vida construindo uma imagem de mulher forte e séria, distanciando-se o quanto possa do estereótipo de mulher sensual para que pudesse sobreviver em um meio tão masculino, adquirindo respeito e admiração de seus colegas homens. Porém, isso deu tão certo que creio que ela se esqueceu da sensação de ser elogiada e desejada como mulher e, de repente quando isso surge ela se dá o direito de sentir e pensar.

Os crimes, investigados por Mulder e Scully, que servem de fundo para o episódio, são confusos, sem pistas, sem motivos e parecem aleatórios. Em última análise, encaro isso de uma forma: Phillip Padgett tem o dom, que não é contudo o de escrever. Ele vai fundo em sua análise do comportamento humano porém não consegue desenvolver nenhuma história com sucesso. Prova disso é que todos os seus romances são fracassos, como ele mesmo diz. Ele é um perdedor. Sua vida mostra isso, seu apartamento vazio reflete sua vida vazia e sem objetivos. Ele não tem por objetivo conquistar Scully e se relacionar com ela, percebam, seu objetivo, segundo ele revela ao seu vilão é poder sentir o amor, alcançá-la, ela é sua musa. Se os assassinatos não tem coerência criminal é porque ele tem um bloqueio que não o permite construir casos como um bom escritor. Ele simplesmente quer atingí-la.

O amuleto “Milagro” que dá nome ao episódio tem um papel interessante na história. Ele surge como um símbolo religioso para atrair a atenção de Scully inconscientemente, é interpretado ironicamente por Mulder de cara como um presente de algum admirador para sua parceira, pois para ele é insignificante naquele momento (o objetivo de quem o enviou é chamar a atenção dela e não do parceiro). Porém, após o encontro com Padgett na igreja, Scully confirma o parecer despretencioso do parceiro, que em segundo momento já o interpreta como possível pista do assassino. Revelada a insignificância do amuleto para o caso, Mulder se depara com uma situação à qual ele não estava preparado e não sabe como lidar, ficando sem reação, confuso e quase sem palavras (o que é um milagre por si...rs).

A cena 'pintada' pelo escritor, com Scully sendo seduzida pegou provavelmente todos os fãs de surpresa. Até percebermos ou termos a certeza de que aquilo era parte da história e não a realidade, ficamos praticamente sem ar (quem aqui tampa o rosto do Padgett durante a cena e visualiza o Mulder? o/ culpada!). E quando a ruiva vai, por vontade própria (mas sem entender direito o por que) bater à porta do sujeito, voltamos a prender a respiração. Afinal, nós conhecemos ou não a nossa agente? Será que ela seria capaz? E até hoje, por mais que queiramos ter a certeza de que a conhecemos bem, me incomoda o fato de que não saber realmente o que teria acontecido caso Mulder não tivesse entrado abruptamente naquele apartamento.

Não acredito que ela pudesse ter um real interesse nele, mas com certeza havia curiosidade e aquela parte da personalidade da Scully - que conhecemos de outros carnavais – que a leva a se envolver com homens potencialmente psicóticos e de vidas escusas. Um lado rebelde que se acentua talvez para chamar inconscientemente a atenção do parceiro? Talvez porque ela é um ser humano também e precisa se sentir como tal? Não sei.

Também não sei dizer o que se passa pela cabeça de Mulder. Ele, como sempre, é seu protetor oficial. E, imagino que, desde o momento que fica sabendo que o vizinho abordou sua parceira do jeito que a abordou, até encontrá-la no apartamento dele e ler o livro do cara, sua cabeça deve ter dado alguns nós. É interessantíssimo vê-lo confrontando Scully sobre seus argumentos em favor do escritor questionando se ela havia lido o que Padgett havia escrito sobre ela, descrevendo a cena – claramente incomodado. E, mais tarde confrontando novamente a parceira quando ela lhe diz que ele, assim como Mulder faz, pode entrar na cabeça das pessoas e saber o que farão ao que Mulder lhe indaga se ela quer que ele acredite que tudo o que Padgett escreveu sobre Scully (atos e pensamentos) é verdade. Claro que ela ruboriza e nega. Isso me remete àquilo que ela diz em “Never Again”, sobre ter essa necessidade de aprovação e até gostar de homens que tendem a ser controladores e autoritários em sua vida.

Os shippers (me incluo) piram neste episódio pois ele revela descaradamente o irrevelável: Scully não pode ser apaixonar pois já está apaixonada! E o melhor, nenhum dos dois faz cara de surpresa...rs. Mas também não se encaram. E o escritor sava essa só pelo toque dela em Mulder ao segurá-lo para que não avançasse em Padgett. Nesse ato ele entendeu que ela não estava tentando protegê-lo, mas sim proteger Mulder de si mesmo, como sempre. Um ato de amor, que o fez recuar imediatamente.

No fim, sinto certa compaixão por Phillip Padgett sim. Ele vê que a única saída para sua história era ela morrer, mas ao invés disso, sabendo que ele nunca sentirá o amor, muito menos dela, se sacrifica para ter a “chance de dar aquilo que ele nunca receberia”, ou seja, dar a ela a chance dela amar e ser amada.

Mulder sobe correndo para salvar a parceira, mas ela já foi salva. Apesar disso, ele a encontra desmaiada e ensanguentada e o terror em seus olhos é comovente. Imagino o alívio ao constatar que ela está viva. Daí vem o abraço apertado, o choro angustiante e raríssimo e ficamos nos perguntando o que rolou depois. Tenho pra mim que esse episódio foi chave no relacionamento deles, sentimentos foram despertados (como já vinham sendo nesta temporada) e tenho minhas teorias...hehe. Mas fica pro post do blog, porque olha o tamanho disso aqui pelamor! [/Fê Monteiro]
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The Unnatural (O Antinatural)

[Cleide] Unnatural é um episódio muito bem escrito, vejam só a mente fértil de David Duchovny, misturar Arthur Dales (o irmão, não o precursor de Mulder nos Arquivos X), basebol, Roswell em 1947 (nada sugestivo né?) e até a ku klux klan.

A narrativa de Arthur é muito divertida, e seus diálogos com Mulder, hilários e recheados de frases divertidíssimas... adoro ele ficar dizendo que Mulder tira grandes conclusões de tudo, e ficar o chamando de "Agente McGiver"!!!

A história de Exley é muito tocante, e tenho que dizer, que ator carismático e bonito escolheram para fazer o Et que abandonou o bando pois aprender a sorrir com um jogo terrestre. Adoro o desfecho final, em que ele de tanto amar o basebol acaba de fato se transmutando em humano.

Bônus para a cena inicial de Mulder e Scully no FBI sábado de manhã, com várias das melhores frases de todos os tempos "Já pensou em encontrar vida neste planeta, Mulder?" "Eu já vi a vida neste planeta Scully, por isto estou procurando em outro lugar", e toda aquela gracinha do "creme de arroz gelado" e "o ar dentro da minha boca deve ter gosto melhor que isto" hahaha!

E a cena final que é uma das mais bacanas da série. Depois do "A agente Scully já está apaixonada" da semana anterior, Mulder não perde tempo em convidar Scully para um encontro apropriado, que ele chama de presente de aniversário muito adiantado ou muito atrasado. Jogo de basebol, no parque, só os dois e "poorboy", certamente chamem isto de recuperar o tempo perdido! [/Cleide]
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Three of a Kind (Trio Inseparável)

[Josi] *rolando os olhos até o infinito com esse episódio*

Piadinhas machistas para todos os lados e os chamados "nerds" sendo colocados como pessoas bobas e aéreas. Honestamente, toda a parte interessante do episódio dá pra resumir em algumas linhas. Mas vamos com fé que eu consigo escrever um pouco mais do que isso.

A dinâmica dos Pistoleiros é sempre legalzinha de se assistir. Eles são... legais. Né? Hoje em dia, eu não sei o que CC tinha na cabeça de achar que eles conseguiriam manter sua própria série. Eles são bons personagens secundários e só.

Suzanne volta apenas para pagar de mocinha que se apaixona pelo cara que a salva ("eu queria que tivesse sido você, John!" - Ah, me poupe) e este se revela um mentiroso que queria apenas se aproveitar dela. Ela apenas descobre isso porque Byers jamais a esqueceu. Ele abre seus olhos e a tira das garras do perigo! Há mais estereótipos rolando por aqui, mas como não quero me alongar mais, ficarei quieta. 

Ah, sim. Dessa vez quem tem que ser feita de boba é a Scully. Mulder já passou por isso na temporada passada. Até agora não entendi exatamente qual o papel dela ali, pois ela nem os livra de nada nem ajuda tanto assim, na verdade. A cena do bar seria divertida se eu conseguisse esquecer que muitas mulheres são drogadas, estupradas e roubadas em lugares assim, mas como este é um episódio relativamente leve e ela é a protagonista, ela é salva por Frohike. Pra ser sincera, não acho que eles pensaram nesse "pormenor" ao escreverem esta cena (não que isso faça a coisa parecer melhor), apenas queriam demonstrar que Scully era uma mulher desejável. Eles estavam com essa missão nos últimos episódios, pelo visto.

Scully na cama com o cérebro de um bebê vale o episódio. Fazendo beicinho, que fofa. rs

Ao final, Suzanne descobre que Langley estava drogado também e escapa do plot de seu próprio assassinato. Os Pistoleiros a salvam de novo e de novo e arrumam uma forma dela conseguir fugir em segurança. Não antes de Byers falar pra ela não ser tolinha e deixar que *eles* lutem contra o governo. [/Josi]
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Field Trip (A Viagem)

[Fê Monteiro] Nós já vimos Mulder alucinando, já vimos Scully alucinando, mas essa é a primeira vez que presenciamos os dois alucinando juntos. E que viagem, heim?!

Me lembro de ter visto o spot promocional deste episódio e o burburinho que causou, pois mostrava somente as partes de suas alucinações, como Mulder mostrando a Scully o 'little gray' que ele conseguiu capturar e a reação dela diante daquela realidade. Ou seja, galera pirou total nas teorias, parecia que tudo ía mudar. Como assim finalmente ela viu? E agora como fica? Mas – e esse 'mas' é grande – era tudo pegadinha do malandro, ou melhor, dos produtores malandrinhos.

Ambos ficam presos naquele fungo gigante sendo digeridos aos poucos e alucinando. Só que essa substância alucinante não leva a simples alucinações sem sentido, ela dá às pessoas o que elas querem, o que elas esperam da realidade.

E isso que torna “Field Trip” legal. Primeiro temos a pequena discussão no início do episódio, com Mulder um tanto indignado que, naquela altura do campeonato (6 anos juntos), Scully ainda descarte de cara tudo que ele fala sem lhe dar, ao menos, o benefício da dúvida. Enquanto a ruiva tem que escutar do parceiro a dura realidade, que em grande parte das vezes ele está certo no fim das contas. Esse papo que eles levam serve como base para o que virá a seguir, ilustrando como cada um se sente àquele ponto. Afinal, se a sexta temporada é a mais leve, cômica e shipper de todas, ela também é a que mais nos leva a analisar os personagens intimamente.

Para começar, Mulder vai até a “Brown Montain”, onde os esqueletos do casal foram encontrados, para uma investigação de campo, enquanto Scully leva uma substância que encontra na ossada para análise.

Não posso deixar de observar que, mais uma vez, Mulder já chega no local metendo o dedo na meleca, sem luvas. Qual é o problema dele afinal?

Quando ele avista o Wallace Schiff, que deveria estar morto, o persegue até dentro de uma caverna. Neste ponto ele já está alucinando. A gente não consegue definir como começou, se foram os esporos dos cogumelos esmagados, se foi algum gás que o fungo libera para atrair a presa, mas o fato é que ele já estava preso na meleca nessas alturas.

Scully, no laboratório descobre que a tal meleca é uma espécie de suco gástrico vegetal que levou os ossos do casal até aquele estado. Com isso sua teoria de morte ritualística vai por água abaixo. Na hora ele lembra de Mulder, que pode estar à mercê do fungo e tenta contato, obviamente sem sucesso.

De repente, Scully chega no apê do Mulder. Ele a espera com ninguém menos que o casal (que há pouco eram esqueletos) e com uma surpresinha: o ET em seu quarto. Toda a cena é alucinação e conseguimos saber que neste caso é do Mulder pois lhe é entregue tudo que ele sempre quis: Ele tem a confirmação de vida extraterrestre, ele tem um gray capturado, consegue se comunicar com ele para saber tudo que quiser e ainda de quebra consegue mostrar tudo isso para sua parceira cética! Manja aquela frase: muito bom pra ser verdade? Pois é, ele começa a sacar isso pois não consegue engolir aquela Scully que se dá por vencida tão facilmente. Também percebemos que a alucinação é dele pelo simples fato de que Scully, quando indagada por Mulder sobre a substância, diz que era só lodo mesmo porém umas cenas antes ela tinha mandado analisar e sabia que não era.

A alucinação seguinte é da Scully, que também consegue o que deseja: provar que sua teoria era a verdadeira. Mas a qual custo? A morte do parceiro. Simples assim. E, assim como Mulder ela não aceita aquela realidade onde a sua explicação – que é a mais simples – é a verdadeira. Faz até barraco no velório!

As alucinações seguintes têm um diferencial: mostram como suas mentes estão afinadas e como cada um enxerga o outro. Na alucinação em que Scully mata a charada pela primeira vez, dizendo que eles estão sendo digeridos, que estão quimicamente entorpecidos imaginando tudo aquilo, o sonho é de Mulder e na seguinte, onde eles já foram resgatados e estão passando o relatório para o Skinner, quem desconfia da facilidade de como eles saíram do sonho e como estão sem sequelas físicas é do Mulder, mas a alucinação é da Scully.

Alías, ótima a cena em que Mulder atira em Skinner. Choquei quando vi pela primeira vez...rs. E se estivesse errado? Tem que ter muita auto-convicção.

O mais legal é ver até que ponto vai a conexão que eles possuem. Cada um tem sua alucinação, mas ao final eles estão se comunicando e despertando um ao outro. E como confirmar mais ainda essa conexão, senão com Mulder estendendo a mão para Scully que a segura sem abrir os olhos dentro da ambulância? Não tem Diana Fowley que possa com isso...rs [/Fê Monteiro]
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Biogenesis (Biogênese - Final)

[Josi] Chegamos ao final da sexta temporada e o tom do episódio não destoa do restante da mesma. A tensão entre Mulder e Scully por conta da diferença de suas crenças parece chegar no seu pico. Não sei exatamente se era o objetivo da produção colocá-los dessa forma, mas a dinâmica deles nessa época merecia uma análise mais aprofundada. Eles se alfinetam e a conversa não flui realmente, mas eles parecem tão mais íntimos. Tom de voz mais baixo, corpos mais relaxados perto um do outro... Enfim, me deixa confusa demais esses sinais contraditórios.

Um suposto artefato alienígena é encontrado na África e trazido aos EUA para se juntar a outro pedaço dele que estava com um pesquisador americano. Quando o pesquisador africano é morto, o caso é passado para Mulder e Scully. Quase que imediatamente Mulder passa a sentir estranhos sintomas ao ser exposto a desenhos do objeto. O que eu acho engraçado é que todo mundo fica sabendo que ele se sente mal quando vê a coisa, mas nada impede que o desenho seja jogado na cara dele constantemente. Oi?!

Apesar dos constantes apelos de Scully para que ele vá para casa descansar ou a um hospital, Mulder continua investigando o caso e só para quando literalmente não consegue mais andar. Eita homem teimoso.

Sabendo de toda a importância deste caso não é de se estranhar o envolvimento da turminha do Cança nele. Nossa surpresa fica por conta de descobrir que Skinner os está ajudando vigiando Mulder e Scully de perto e até os filmando. Bom lembrar que a vida dele ainda está nas mãos do Krycek, que deve ainda ser pau mandado do Canceroso.

Enquanto isso, Scully sai em busca de dar credibilidade ao artefato e descobre que Albert Hosteen, velho amigo deles da época de Anasazi, estava traduzindo os dizeres encontrados no objeto. A tradução que ela encontra é perturbadora: trechos da Bíblia e códigos genéticos.

Quando ela vai contar isso tudo para Mulder, descobrimos que Mulder agora sim estava de cama e sendo cuidado por ninguém menos do que Diana Fowley. Taí uma cena que eu não entendo. Não a parte em que Scully, assustada e confusa, tenta buscar uma racionalização para aquilo tudo e encontra apenas grosseria em Mulder (que desta vez não pode responder por si pois está adoentado). E nem a parte que provavelmente Krycek que avisou Fowley de que Mulder estava ali vulnerável. O que eu não entendo é Diana dizendo que iria arrancar a verdade de Mulder enquanto tirava as roupas... Cara, se Mulder tivesse qualquer energia sobrando, ele estaria indo atrás de qualquer coisa que o levasse a verdade. Imagina se ele ia "relaxar" com alguma mulher na cama e depois trocar segredinhos... Que cena sem noção.

Mas tudo é perdoado na cena seguinte. Scully é chamada para ver Mulder (certamente para deixar o pesquisador desprotegido e Krycek conseguir roubar o pedaço do artefato que sobrou mais facilmente) e ficamos chocados ao vê-lo totalmente fora de si internado numa ala psiquiátrica.

Fowley está lá e tenta insinuar que Mulder a chamaria para cuidar dele no lugar de Scully, pois "ele sabia que só eu acreditaria nele". *toca a musiquinha do HAHAHA* Jamais, querida. O bom é que Scully sabe bem disso e a chama de mentirosa. A ela e a Skinner. Pobre Skinman. Acho que ele jogou as pistas para que Scully descobrisse que eles estavam sendo investigados. Ele é mais esperto do que aquilo.

Sabendo que ali no hospital ela não seria de muita valia para Mulder, Scully parte para a África para ver as escavações na praia onde o artefato foi encontrado com seus próprios olhos. E pela primeira vez na história de Arquivo X, Scully se depara com uma nave alienígena.

CONTINUA. [/Josi]
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Maratona: 1ª Temporada - 2ª Temporada - 3ª Temporada - 4ª Temporada - 5ª Temporada/FTF.

2 comentários:

Marcos Alcantara disse...

Parabens por postar um quase tutorial dos episódios dessa série tão foda dos anos 90.
Me apaixonei por ela no ano passado quando assisti todos os episódios.

XFILES disse...

É um prazer comentar sobre essa série maravilhosa!

Obrigada, Marcos! Que bom que vc gosta de nossas divagações. :)

Beijos,

Josi.