quinta-feira, 19 de junho de 2014

Crônicas de dia dos namorados - Parte Final

Scully checou a hora em seu relógio de pulso e decidiu que já era hora de ir para casa. Ela não teve nenhuma cirurgia naquele dia e ainda era relativamente cedo, mas era dia dos namorados e ela e Mulder haviam criado um hábito de celebrá-lo. Ela gostava disso. Era algo doce na vida deles. E só Deus sabia como eles precisavam de um pouco de doçura.

Na verdade, comparando-se com a vida deles enquanto trabalhavam no FBI, eles poderiam dizer que viviam num paraíso. Eles não viviam mais em hospitais ou sendo constantemente ameaçados e/ou sequestrados, não viam mortes violentas todos dias, nem tinham que lidar com armas diariamente... No entanto, a sombra de tudo o que viveram e o medo do que descobriram naquela época os assombravam ainda, mesmo depois de todos os anos que tinham se passado. Pelo menos eles não tinham mais de viver como fugitivos.

A alguns anos atrás, o FBI os tinha procurado com a proposta de que eles - Mulder mais especificamente -, os ajudassem num caso e assim seus "pecados" seriam perdoados. Não foi justo, claro. Pois eles eram quem haviam sofrido uma grande injustiça e Mulder tinha escapado de um assassinato institucional por muito pouco. O fato é que, mesmo com todos os problemas que tiveram com aquilo, Mulder, como sempre se dedicando demais, quase sendo morto no caso, eles até que emergiram com um saldo positivo. A verdade é que ambos estavam meio estagnados na época e todos aqueles acontecimentos, por mais tristes que tivessem sido, deram um novo ânimo para os dois.

Scully estava tendo excelentes resultados em suas pesquisas no hospital e Mulder andava ocupado sendo constantemente chamado para consultorias para casos que atingiam um ponto sem saída. Nem sempre tinha a ver com algum fenômeno paranormal, uma vez ou outra, ele pedia sua assistência e era até divertido trabalharem juntos novamente com uma intensidade menor do que antes... mas o melhor era que ele estava vivo novamente... seus olhos brilhavam e ele falava daquela forma excitada que ela tanto amava.

Claro que ainda havia aquela grande sombra na vida deles: a falta de William. Aquela era uma dor constante em sua vida, com a qual ela havia aprendido a conviver. Ela sabia que Mulder sentia também, apesar de não deixar transparecer muito para não deixá-la mais triste. O que era inútil. Scully lembrava de seu filho o tempo inteiro... ela o via em cada pequeno detalhe dos pequenos que ela tratava.

Ela balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos depressivos. Abriu sua gaveta e sorriu ao pegar o pequeno pacote com o presente de Mulder. Pensar em voltar para casa para os braços dele e ainda por cima com algo especial em vista era mais do que o suficiente para animá-la. Apesar de todos os percalços, não havia absolutamente nada que a fizesse se arrepender de estar com Mulder. Ela o amava e sabia que ele a amava também. Eles eram o porto seguro um do outro agora, como foram no passado, desde que se conheceram... e cada dia que passava provava que eles permaneceriam assim por muito e muito tempo… 

By Josi.


***

Era dia dos namorados, novamente! Este dia acabou tornando-se um de seus favoritos do ano, ele sempre se esforçava para criar um clima especial, comprar um presente surpreendente para ela… o deste ano ia deixá-la de boca aberta, e com olhos brilhantes, assim ele esperava!

Sim, a vida deles, especialmente na década em que se envolveram com os Arquivos X, foi intensa, difícil, mas ele sentia como se o dever estivesse cumprido. Certamente que eles não acabaram com a conspiração global que investigaram todo aquele tempo. Mas trazia no coração a paz de saber que a expôs junto com sua brilhante parceira, e assim outras pessoas puderam levantar-se a favor da mesma causa. 

Seus demônios estavam exorcizados: encontrou o paradeiro da irmã, descobriu seu pai biológico, que era um dos cérebros da conspiração e foi derrotado, compreendeu o que houve na sua abdução e na da parceira… entretanto, achava que nunca compreenderia o milagre que foi o nascimento de seu filho e de Scully. Onde ele estaria agora? Será que era feliz? Ele sempre pensava… e no quanto seria bom poder ter dado a ele uma vida normal, poder ter a alegria de presenciar aquele pequeno milagre através dos anos....

Mulder e Scully perderam muito, familiares, saúde, muitos aspectos do conforto de uma vida normal, na busca pela verdade. As vezes ele lembrava de sua juventude, de sua ingênua arrogância de que poderia salvar o mundo… ele ainda via o sobrenatural com paixão, entusiasmo, mas agora com mais maturidade e respeito, legado que apenas toda aquela experiência poderia proporcionar.

Durante aquela década de sua busca apaixonada, de idealismo e fortes convicções, eles alcançaram a verdade, durante muito tempo isto o deixou estupefato, com uma extrema sensação de impotência. E a vida dele e de sua amada (como era confortável poder pensar nela assim depois de tanto tempo de negação), se tornou muito confusa uma vez  que ficaram em fuga e depois reclusos, escondendo sua identidade. Algum tempo depois, um caso inexplicável lhes ofereceu as pazes com o FBI, e o fato do mundo não ter sido invadido por alienígenas em 2012, lhes mostrou que nem sempre os planos do mal são cumpridos, nem tudo está definido. Que ainda há esperança!

Isso lhe trouxe paz de espírito, pensava que a busca que ele começou, ganhou adeptos e muitos lutando pelo mesmo ideal, e que podiam mudar a realidade. Pensava que seu filho em algum lugar do mundo, crescia feliz e em paz, sem sequer imaginar todos aspectos que envolveram a vida dos pais biológicos e seu nascimento. A escuridão agora não os encontrava mais, pois eles a expulsaram de sua alma… olhavam para ela quando aparecia algum caso de detalhes sinistros, sem se entregarem em seus tentáculos… depois de tantos anos, aprenderam a viver com leveza.

Ele ficava feliz por terem saído da obscuridade, ele sabia que sua amada sentia falta da sua mãe e de Mônica, que se mostrou uma amiga verdadeira desde o primeiro dia que se viram até hoje… talvez pelo fato dela lembrar tanto Melissa, talvez por ter ajudado no parto de William, as duas tinham um elo de amor fraterno que fortalecia com o tempo. Scully sempre teve dificuldade de se apegar afetivamente às pessoas, mas durante os anos em que ele esteve longe, Monica e Dogget conquistaram sua confiança e afeto, e ele ficava feliz por esta convivência agora não ser mais proibida ou perigosa.

As vezes ele pensava, se devia se sentir infeliz, agora, tanto tempo depois, por tudo que aconteceu: a vida infeliz de seus pais, a perda e a tragédia da irmã, seu pai biológico ter sido seu pior inimigo, os assassinatos de Melissa, dos Pistoleiros Solitários, Garganta Profunda e tantos outros… de ter perdido o emprego no FBI, ter sido obrigado a dar o único filho com a mulher que mais amou na vida para adoção para sua própria segurança… mas ele se sentia apesar de tudo privilegiado… abençoado por ter visto tanta coisa, por não ter ficado calado perante as injustiças, e por acima de tudo, por mais romântico e piegas que parecesse, ter encontrado o amor de sua vida, e saber que apesar do preço que pagou, nada em sua vida se comparava à presença daquela mulher, que por acaso entrou por sua porta, mas que não por acaso, nunca mais saiu de sua vida…

By Cleide.

4 comentários:

Juliana disse...

todos os posts foram lindo, mas esse final... nossa!

cadê as fanfictions de vcs pra gente ler? hehehe

Nádia Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cleidescully disse...

Juliana! Que bom que você gostou!
Eu e Josi fomos meio doidas de nos propormos escrever uma crônica por dia... vixe! Mas até que deu certo...
Foi difícil, mas conseguimos, com nossas limitações, escrever os 10 textos... quem sabe tomamos coragem pra escrever mais?
Obrigada mais uma vez!

Josilene disse...

Falando por mim, acho que ficarei apenas no reino das ficlets mesmo. kkkk Essa coisa dá trabalho demais. hihihi Fora que eu não tenho tanta imaginação pra criar plots e tal. ;)

Obrigada por nos acompanhar, pessoas!

Beijos!