sábado, 9 de janeiro de 2016

The X-Files Revival Countdown - 7ª Temporada

Compilação dos reviews realizados para o Countdown para o Revival referentes à Sétima Temporada. Visitem nossa página para acompanhar a reta final da contagem regressiva!


The Sixth Extinction (A Sexta Extinção - Parte 1)

[Josi] "Eu vim até aqui em busca de algo que eu não acreditava que existia. Eu continuo aqui, apesar de mim mesma, apesar de tudo que sempre aceitei ser verdade. E continuarei aqui o máximo que eu puder, enquanto você lutar contra a doença que eu vi consumir sua linda mente."

Assim começamos o episódio e a sétima temporada, com Scully mostrando o quão longe ela era capaz de ir para salvar seu parceiro.


Este episódio é MUITO BOM. Assim como é toda essa trilogia. A ideia em si é meio fumada mas escreveram uma história boa de se assistir.

Algo que eu não entendo é o porquê deles assumirem de primeira que todos aqueles escritos na nave significaria necessariamente que eles tinham todas essas informações antes. Eles não poderiam estar... sei lá... coletando esses dados? Pessoalmente, eu aceito a ideia de aliens estarem visitando a Terra a muito tempo, mas não exatamente para destruir nada... eles podem estar fazendo algo como os humanos às vezes fazem... ir apenas explorar o lugar. Assim, eles coletam dados sobre como vivemos. *imaginem meus olhinhos inocentes ao pensar isso* rs

A parte da história de Scully na África é focada na descoberta da nave, na retirada das informações que ela contém e na decodificação da mesma. Quanto a isso eu tenho duas pequenas observações nem um pouco importantes para fazer. Primeiro, eles tinham mesmo que mostrar ela usando o código numa letra comum que estava no final de uma palavra conhecida e com todo aquele cuidado? Era o cansaço, fia? Segundo... o que era a Scully lá naquela praia? E aquela cena que ela sai da tenda com um facão na mão? Uau!

*voltando* No entanto, Scully mais certa do que imaginava ao dizer que aquelas descobertas não eram para serem feitas por ela. Talvez, elas não deveriam ser por ninguém naquele ponto. Tanto que um senhor que certamente simbolizava o próprio Moises veio para avisá-la para ir embora. Vários sinais foram enviados, repetindo algumas das pragas que assolaram o Egito, até que o homem a mandou embora com todas as letras.

Enquanto Scully estava na África buscando uma maneira de usar o poder do artefato para ajudar Mulder, este lutava por sua vida como podia. Ou melhor, lutava para encontrar e provar a verdade. Desta vez, ela se encontra dentro dele mesmo e todos sabemos como Mulder consegue ser negligente com sua própria vida.

Mulder consegue fazer com que Skinner vá buscar um velho conhecido nosso, Kritschgau. E esse um já começa bem mal ao dizer que antes ele tentou ajudar Mulder e se ferrou. Oooooooooooooooi???????? Eu pensava que ele tinha usado Mulder para tentar salvar a vida de seu filho e depois quando isso não foi possível ele queria vingança. Memória seletiva, heim? Ok.

Com a ajuda deste ser, eles conseguem com que Mulder volte a se comunicar e temos a confirmação de algo que já desconfiávamos: ele está lendo mentes. Lembram quando Scully falou que Gibson era um humano como qualquer outro, mas tinha uma parte do cérebro, que geralmente permanece desligada, ativa? Pois é... aquele artefato entrou em algum tipo de ressonância com as atividades cerebrais de Mulder e ativou aquelas funções nele também. Provavelmente o vírus alien com o qual ele foi infectado lá em tunguska deixou vestígios em seu corpo. Talvez Scully não tenha tido nenhum sintoma por ter o chip. (essa é minha explicação lógica, tá?)

Mulder, então, exibe habilidades parecidas com as de Gibson, só que muito mais aguçadas e seu cérebro fica tão saturado com tudo isso que não consegue fazer o restante do corpo dele funcionar apropriadamente. Acho que devemos agradecer por ele conseguir respirar e bombear sangue, né?

Isso não vai longe pois Diana vem e acaba com a brincadeira deles. E bem a tempo pois aquela droga pelo visto não estava fazendo nada bem a Mulder. Diana é uma coisa. Ela sabe o que está acontecendo e sabe que toda a sua fachada caiu por terra dado que Mulder estava lendo sua mente. Então o que ela faz? Se declara pra ele. "Eu sempre te amei, Fox". Eu sou a expressão catatônica de Mulder sem conseguir nem mandá-la se f... Adoro a atuação de DD aqui. Vocês podem até achar que é minha imaginação mas eu consigo ver claramente como Mulder está não apenas surpreso e enojado como amedrontado naquela cena.

Essa cena foi necessária para o que viria a seguir. Por mais que eu deteste triângulos amorosos, não posso deixar de me deliciar com o paralelo desta cena com Diana com a de Scully. O contraste é incrível. Ah, antes disso, deixa eu comentar como Mulder entendeu bem as motivações de Skinner e não o viu como um traidor, mas como alguém que fazia o que podia...

Então, Scully vem da África. 22 horas de vôo. Quem está ligando para sua aparência naquele ponto? Não ela. Ela não está nem aí para nada nem ninguém, apenas quer ver o seu parceiro. Ao ter a confirmação de qual hospital ela estava (não sei por que ela não telefonou) e ignorar Skinner falando o quão mal ele estava, ela segue para encontrá-lo.

E temos então uma de minhas cenas favoritas. Notem toda a expressão de Mulder como fica maravilhada ao distinguir a voz dela no meio do caos de seus sentidos e assim que ela se aproxima e os outros ficam para trás, ele parece em paz. Por favor, não esqueçam que ele pode ler mentes. E ele está lendo a mente dela. Bem naquele momento em que ela perde até a coerência de tão preocupada que ela está e balbucia parte do que tinha descoberto na ânsia de dar um motivo para ele lutar por sua vida. Bem ali... ele está ouvindo tudo o que passa pela mente dela. Naquele momento, ele teve uma ideia bem clara do quanto aquela mulher o amava e como o que eles acreditavam fora deles mesmos não importava. [/Josi]
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The Sixth Extinction Part II – Amor Fati
(A Sexta Extinção - Parte II)

[Fê Monteiro] Confesso, fico sempre muito relutante em assistir esse episódio. Não é minha passagem de temporada preferida. Ele me entristece um pouco, toda aquela viagem do Mulder, sua “2ª vida” me deixam um pouco deprimida e algumas coisas não fazem muito sentido. Não que o desfecho dessa trilogia não seja bom, mas é como me sinto. Felizmente o final do episódio compensa a dor. Na verdade ele encerra aquilo que foi o cerne da sexta temporada: a análise profunda dos personagens centrais. Neste caso, Mulder. Entretanto, prefiro acreditar que seu sonho foi mais induzido que livre, não quero acreditar que ele deixaria de lado todas as suas crenças e lutas para curtir uma aposentadoria no subúrbio.

Quando o Canceroso chega em Mulder, no início, após lhe aplicar a injeção, acredito que ele já está sonhando. Nesse momento, faço uma conexão mental do episódio com Matrix. O Canceroso age como Morpheus, dando a Mulder (Neo), duas opções (as pílulas): a vida de heroísmo em busca da verdade que o levou até aquele momento e que, se ele continuar, o levará à morte; ou uma segunda opção onde ele poderá viver como uma pessoa normal, ter uma vida tranquila, reencontrar a irmã, ter uma esposa, filhos, um gramado e uma cerca branca. Essa segunda opção, pra mim, representa exatamente a Matrix, o lugar “perfeito” com a vida “perfeita”, onde ele não teria que lutar mais, onde ele encontraria a paz. Porém, assim como em Matrix, essa vida é uma ilusão. É mais confortável viver nela, mas você estará vivendo uma vida medíocre de mentiras, uma vez que já possui uma consciência maior sobre a realidade, sobre a necessidade de continuar lutando, para alcançar esse paraíso para todos e não em um ato egoísta. Mas, acredito também que não lhe foi realmente dada uma escolha, uma vez que ele foi arrastado, como a própria Fowley conversa mais tarde com o fumante.

Acho interessante como o Cancerman diz a Mulder que ele não é Jesus e, no final do episódio, a posição em que o deixam naquela cama de operação, com aquele aparelho preso em sua cabeça, lembrando uma coroa de espinhos, tudo remete a uma crucificação. Na verdade, como já li em alguns lugares, o episódio tem uma forte semelhança com “A Última Tentação de Cristo”. 

“Eu sou seu pai” - aqui impossível não lembrar de Star Wars...rsrs

Só que o cara é pior que o Darth Vader, ele é dissimulado. Dá uma de pai protetor e leva Mulder embora pela mãozinha, aproveitando-se do seu estado confuso para ter o que quer: o material genético que o faz metade alienígena e o torna imune ao apocalipse. Mas o importante é que ele tem orgulho do filho...aff 

Mulder tem flashes (que duram até o final do episódio) onde ele está em uma praia e há uma criança que entendemos como sendo ele mesmo. É muito simbólico isso, psicólogos de plantão podem entender melhor...rs, mas vejo como se ele entrasse em contato consigo mesmo, sua criança interior. Como sua consciência tentando lhe mostrar o caminho certo.

Como não amar o velho Albert Hosteen em sua visita espiritual à Scully para ajudá-la? Pena que ele se vai, porém para alguém como ele o corpo realmente é só um impedimento, sua força vai além como observamos aqui. É linda a cena em que juntos eles oram.

Nessa vida alternativa, qual a primeira pessoa que Mulder reencontra? Deep Throat, em sua cozinha, mostrando que está vivo, muito bem, feliz e que Mulder pode ter tudo isso também, que inclusive tudo que ele pensou ser sua culpa não é. Que as coisas acontecem, que ele deve esquecer tudo. Tudo isso já o deixa mais à vontade e em paz naquela nova “realidade”. O jogo é tão sujo que eles sabem que deviam colocar alguém que o inspirasse confiança para segurá-lo ali em um primeiro momento. 

As dezenas de pacotinhos de semente de girassol na casa são um detalhe à parte...rs

Vamos pular a parte em que Diana Fowley entra no quarto e seduz o Mulder ok? Me revira o estômago...sério. Mas é rápido e ela é exatamente o que diz assim que ele questiona quem é, sem a reconhecer de longe: ela não passa de um punhado de pequenos prazeres que ele pode ter. Ela nunca seria mais que isso. Acho ótimo que na manhã seguinte ele ainda está ressabiado com tudo aquilo, ela o diz que ele está sendo infantil, fugindo de uma vida de “reais responsabilidades” e ele questiona se deve então fingir estar alegre com tudo aquilo. Claro que eventualmente ele vai começando a criar raízes, ainda mais depois de ver sua irmã, ter filhos etc. Vai sendo engolido cada vez mais por toda aquela ilusão.

Enquanto isso Scully se desdobra para tentar localizá-lo. Adoro ela confrontando a Fowley! Faz ela pensar, afinal ela se importa com ele e demonstra alguma consciência para ver a cachorrada que está fazendo. Pelo menos uma vez na vida age corretamente e acaba entregando à Scully os meios para encontrá-lo. No fim, fico até com pena da Diana (bem pouquinho), porque ela foi mais um boneco nas mãos do Cancerman. Em algum momento ela deve ter pensado que sairia por cima. Quando finalmente fez algo bom, claro que providenciaram seu óbito. Mas realmente não haveria outro destino pra ela. E acabamos sem entender exatamente qual foi o papel dela.

É tão lindo quando Scully finalmente entra em sua ilusão, com ele à beira da morte, não para consolá-lo e dizer que ele fez tudo certo e que deve descansar, mas para chamá-lo de covarde, traidor e dizer-lhe para levantar e lutar. Ela não envelheceu ou morreu, pois como ele diz ao final, ela é sua constante. É a única fagulha de realidade que lhe sobra.

A cena final é gloriosa. A iluminação é linda, os olhares são cheios de emoção, o diálogo maravilhoso cheio de pequenas declarações. Clima perfeito. Só faltou um beijo pra fechar né produção?! Vou te falar! Esse corredor dele está cheio de beijos perdidos...rs

Em contrapartida entendo. E creio que aqui eles selam definitivamente uma aliança, não só de amizade e lealdade, mas de amor. Há milhares de teorias sobre quando exatamente eles começaram seu romance. É difícil dizer, mas chutaria que as coisas começaram a se concretizar após essa transição. Algo a ser explorado no post do blog, porque pra variar isso aqui já ficou enorme...rs [Fê Monteiro]
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Hungry (Faminto)

[Cleide] Hungry é mais uma história de monstros assassinos compulsórios que fizeram sucesso como monstros da semana em Arquivo X desde Tooms.

A inovação está na narrativa do episódio que é inovadora e diferente de todos outros monstros: a história é vista pelos olhos de Rob, o mutante que inevitavelmente precisa comer cérebros humanos para sobreviver.

É curioso, pois não acompanhamos as discussões clássicas dos agentes, ou as autópsias de Scully, ou de onde veio a teoria de Mulder, como ele chegou à conclusão que procuravam u monstro (apesar de sabermos que ele estava certo).

Vendo pelos olhos do monstro, somos levados a perceber o quanto ele se esforçava para se enquadrar, seu disfarce, seu medo, suas angústias. E só vemos os agentes em fragmentos. Mulder está sempre simpático, descontraído, mas percebemos que ele sabe de algo que não revela desde o início.

Pouco sabemos o que Scully acha além de acreditar (como sempre) que o principal suspeito é ex-detento marrento que trabalhava na lanchonete. A experiência mostra novamente que Mulder estava certo na sua teoria, mas depois de ter visto tantos monstros, até nós, telespectadores, sabemos traçar o roteiro dos mutantes monstros compulsórios... 

Foi bem criativo, o episódio encerrar-se como os olhos de Rob lentamente se fechando... [/Cleide]
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Millennium

[Josi] Eu já assisti a esse episódio mais vezes do que eu possa contar. Simplesmente porque ele é o único episódio de ano novo que temos e essa era uma de minhas formas de celebração. Mas até que ele é legal de se assistir, não é?

Então... Tio CC tinha outra série chamada Millenium, que foi cancelada e esse episódio é um crossover que serviu também como um final para ela.

O grupo Millenium acreditava que eles deviam trazer o apocalipse para a Terra e isso só poderia ocorrer na virada do milênio. Eu estou no grupo de Scully e também viraria os olhos enquanto argumentava que 1999-2000 sequer é a virada do milênio. 

Ignorando este fato, o grupo deu início ao seus planos. Ninguém pode dizer que eles não estavam realmente dando tudo de si. Os caras se matavam para serem ressuscitados!

Pausa para admirar a maravilhosa cobertura do sistema de telefonia celular de Arquivo X. O carinha morto recebia sinal a sete palmos abaixo da terra e efetuou lindamente a ligação que precisava, mas Mulder não teve a mesma sorte quando estava do lado de fora da propriedade daquele ser.

Ser este que era apenas perturbado mesmo. Ele não estava fazendo aquilo necessariamente por ser mau. Afinal, ele bem que salvou a Scully. Ele achava que este mundo estava totalmente perdido (dá pra se entender o sentimento não é?) e que estava mais do que na hora do Julgamento Final vir até nós. Desculpa aí, carinha. Mas esta decisão não é de vocês.

Frank era o personagem principal de Millenium. Nunca vi a série nem pretendo, mas dá pra perceber nele o cansaço de alguém que lutou muito e recebeu pouco como recompensa. Nós o conhecemos numa instituição psiquiátrica e naquele momento ele só quer que as pessoas parem de achar que ele está maluco para poder ter a guarda de sua filha de volta. Mesmo resistindo no começo, ele termina por ajudar Mulder e Scully a desvendar o caso.

Esse episódio tem uma certa semelhança com IWTB, não é? Pera, vou explicar. Notem como Mulder vai até um lugar ermo, sozinho e acaba sendo capturado e quase morto. Daí Scully consegue localizá-lo porque ela é assim mesmo, totalmente demais, e o salva matando os zumbis que faltavam. Desta forma, os planos do grupo millenium foram frustrados. E não é como se eles pudessem ter outra chance. rs

A última cena do episódio mostra todo mundo no hospital com um final feliz. Frank recebe a visita de sua filhinha e a leva para casa se recusando a comemorar a passagem de ano. Ele deve ter temido aquele momento por muito tempo.

E ficamos com apenas Mulder e Scully. Eu resisto à teoria de que este foi o primeiro beijo entre eles. Mas... vamos dizer que foi. Interessante que há pequenas mensagens subliminares... o carinha na tv sugerindo que as pessoas se abraçassem, depois o casal se beijando bem ali na frente deles... fora aquela alegria que você deve sentir quando sobrevive a um possível apocalipse juntamente com sua amada (estou vendo vocês aí sem se mexerem, abbie e ichabod - outra série, ignorem rs). Imbuído de todos esses sentimentos, Mulder faz o grandioso e simples movimento de apenas baixar e beijar sua parceira. Honestamente, eu tenho alguns motivos para achar que este não foi o primeiro beijo deles (explorarei mais no blog) mas um deles não é a singeleza do ato. Eu realmente acho que não havia outra maneira disso acontecer. Depois de tudo o que eles passaram, depois de todos os sentimentos deles estarem tão na superfície, algo mais intenso os quebraria.

Quando se separam, Mulder solta um "o mundo não acabou" num claro duplo sentido com o fato de que o apocalipse não aconteceu e que o mundo particular deles não desabou quando seus lábios se tocaram. E os lindinhos ainda saem abraçados. [/Josi]
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Rush (A Investida)

[Fê Monteiro] Mais um monstro da semana, como haverá vários nesta temporada. Aqui percebe-se que a atmosfera se tornou um pouco mais sombria em relação à sexta temporada e voltamos aos crimes bárbaros. Talvez numa tentativa de retomar o antigo formato no intuito de rebater as críticas quanto às mudanças que ocorreram na temporada anterior. 

A trama do episódio envolve adolescentes com poderes em uma escola – não, não é X Men Evolution – poderes que, claro, caem logo nas mãos do pior deles, de cara. O garoto Anthony Reed que é o principal suspeito, e que nós sabemos que não é o culpado, é um adolescente normal, recém chegado à cidade, querendo se enturmar, que fica logo à fim da garota mais popular, que por acaso é a namorada do bad boy Max, descobridor dos poderes. Apesar da interminável sequência de clichês americanos neste episódio e de sabermos desde o início quem é o assassino, não deixa de ser interessante de se assistir.

E hey! Tem o Chuck! Já falei que adoro ele né?

Agora, acharem realmente que o garoto matou o policial com um só golpe de lanterna, atravessando o seu crânio é um pouco demais heim. Scully já vem com as alternativas: uso de tóxicos, drogas que poderiam ter lhe dado força sobre-humana, a cara do Mulder é ótima, eles nem discutem. 

Os poderes são adquiridos na floresta (sempre tem que ter uma – mas pelo menos dessa vez não são Mulder&Scully que se dão mal nela...rs), mais exatamente em uma caverna que possui um facho de luz incomum. Expostos a essa luz, os jovens adquirem uma super velocidade. Tipo, super mesmo, de forma que a pessoa se torna invisível aos olhos humanos. 

Porém - e sempre há um – o constante e abusivo uso desse poder traz consequências físicas severas, uma vez que o corpo humano não possui estrutura para se mover em super velocidade. Dessa forma, os jovens começam a ficar debilitados, principalmente Max, que parece não ter limites.

Tudo nesse episódio parece contrapor a todo o instante os conceitos de juventude e maturidade, inclusive com nossos agentes que terminam o episódio sentindo-se velhos e vagarosos. Até os poderes só se aplicam aos jovens, como uma espécie de pó de pirilimpimpim. Devo dizer que a cena do ataque ao professor no refeitório é mais que brutal e mostra como poderes sobrenaturais caírem nas mãos erradas é ruim, mas caírem nas mãos erradas de um adolescente suscetível a milhares de hormônios fervilhantes é muito, muito ruim. 

A cena final é bacana, em todo aquele estilo Matrix atingindo uma velocidade superior à da bala, em que a garota consegue matar o bad boy e colocar fim na própria vida. É quase poética, como se ela decidisse não envelhecer, que não valia à pena continuar com aquilo. Salvando a vida do garoto que a amava.

Apesar da tentativa de retorno a esse tom sombrio e mais pesado, uma coisa permanece leve: a relação entre os protagonistas, visivelmente mais relaxados, confortáveis e próximos como nunca estiveram. Notem como aquela tensão, sempre presente entre eles, diminuiu. Eles estão a todo tempo flertando e brincando um com o outro - o que é a Scully pedindo ao Mulder para, só uma vez descartar os fantasmas e partir de uma teoria mais mundana, por ela *fazendo biquinho*? E a ceninha de ciúmes, quando a Chastity passa por eles no corredor e mexe com Mulder *todo inocente* e a Scully dá um beliscão nele e ele solta aquela risadinha do tipo “O quê? Não fiz nada!”. Fora a carinha de alegria dele quando ela chega no local que ele está, no início do episódio e solta um serelepe “Você chegou! Pegou muito trânsito?”.Se eles já não eram um casal aqui, não sei quem sou então. [Fê Monteiro]
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The Goldberg Variation (Um Homem de Sorte)

[Josi] Esse episódio é muito legal de se assistir, mas não tem muita profundidade. Mulder devia estar sem casos ou com vontade de passear com Scully para ir em busca de uma história de um cara que sobreviveu a uma queda.

Parece que, depois de terem detonado tanto com o ceticismo de Scully no final da sexta temporada, o mote agora é fazer com que as teorias viajadas de Mulder sejam colocadas em cheque por outras mais simples. Desta vez, no lugar de alguém que se regenera, algo como Claire de Heroes, temos um cara que tem "apenas" muita sorte.

O cara em questão, Henry Weems, é um fofo. Uma pessoa tão boa que ele prefere não se aproveitar de sua grande sorte para que outras pessoas não sofram. Pois é... A boa fortuna de Henry vem a curta do azar alheio. Assim, ele torna sua vida o mais simples possível para que ele não tenha que recorrer à sorte pra nada.

No entanto, tudo muda quando seu pequeno amigo Richie fica muito doente e precisa de um tratamento caro. Então, Henry sai em busca de ganhar o dinheiro necessário para garantir a saúde do menino. Sua tentativa no pôquer com criminosos foi o que resultou na tal queda que chamou a atenção de Mulder.

A história é construída de tal forma que tudo parece conspirar para que o momento final aconteça e Richie consiga afinal o doador que salva a sua vida. Tal qual os brinquedos que Henry constrói. Olhando em retrospecto, até mesmo o acidente de Henry deve ter acontecido para que o menino não morra. Assim, o verdadeiro sortudo ali é Richie. Religiosos diriam que foi a mão de Deus agindo.

O clima leve do episódio (as únicas mortes são de um capanga e do próprio chefão da máfia) contribui para que a gente preste muita atenção na interação entre Mulder e Scully. Os dois agentes passam o tempo inteiro cheios de piadinhas um com o outro, sorrisos sem mais nem menos, nenhum momento tenso entre eles... humm... Ganhamos até um "nós voamos de volta para Washington ao pôr do sol e tudo está certo no mundo". HUUUUUUMMMMMMMMM Ah, pera... quase esquecia de comentar Mulder elogiando a aparência dela no começo. hehe

Não é a toa que algumas pessoas apelidam a sétima de "a temporada do sexo secreto". A gente não vê nada, mas os sinais estão para todos os lados.

Só mais uma coisa que é sempre bom notar: vejam como Scully não refuta realmente as teorias de Mulder. Ela está bem mais aberta para o sobrenatural... 

Curiosidades: 
- O ator que faz o Henry, Willie Garson, é um ator que já participou de muuuitas séries. Procurem o imdb dele. É de assustar. Aliás, lembrem que ele já havia participado de Arquivo X no episódio The Walk, da terceira temporada.
- Richie lupone é o próprio Shia LaBeouf. Lidem com isso. [/Josi]
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Orison

[Cleide] Alguns monstros de fato retornam em Arquivo X, e Pfaster, o mais assustador de todos monstros humanos, acaba retornando neste episódio.

O toque sobrenatural é do reverendo que com poderes de sugestão e hipnose, ajuda detentos a fugir apenas para julgá-los e aplicar sua própria sentença de morte. Mas como Mulder disse, aparentemente o pastor libertou algo mais poderoso do que podia controlar, achou que era um detento e acabou abrindo as portas do inferno.

Em episódios que mexem com a fé Mulder costuma se colocar antagonicamente contra a crença de Scully. Neste episódio vemos as posturas de nossos protagonistas mescladas. Mulder não acredita de fato na cisma de Scully com os "sinais" que ela estava percebendo, especialmente a tal música "don't go any further" que toda hora se repetia. Mas ele não fica tão antagônico e na defensiva como em alguns episódios do passado. Scully, por sua vez, quando o reverendo aparece morto, desencana logo com a história e vai para casa, deixando a polícia por conta de capturar o assassino.

A sequência final deste episódio é arrepiante, vemos Pfaster invadindo facilmente o apartamento da Scully, que tornou sua obsessão desde que foi para prisão, vemos Scully entrando, ela vê de novo o relógio marcando "666" e todos seus instintos se despertam, infelizmente não dá tempo nem de pensar, e a cena da luta é angustiante. 

Aí entra Mulder entrando em casa, não ouvindo o recado de que Pfaster atacou uma prostituta por que ela não era ruiva de verdade... e nós assistindo e dizendo: "ouça os recados da secretária, seu sacripantas!" Corta para Scully amarrada, tentando pensar em algo, volta para Mulder preparando-se para dormir e sem querer ligando o rádio, e vem de novo a tal música... aí, os instintos dele que são ligados... corta para Scully de novo, que com os preparos do cenário pelo louco, teve tempo de arrastar, pegar a arma... Mulder chega, parece que o mundo para, Scully, em estado de choque, despacha aquela criatura desta para pior.

Mulder fica completamente chocado... Scully arremata questionando se era Deus ou não que estava em seu controle...

Para os shippers: com que intimidade ele manda ela fazer uma mala para saírem logo de lá... [/Cleide]
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The Amazing Maleeni (O Incrível Maleeni)

[Fê Monteiro] A sétima temporada tem alguns episódios bem leves e feitos com o simples objetivo de entreter. Um deles é The Amazing Maleeni, com certeza. Não tem uma história cheia de suspense, não há morte alguma (há um corpo, mas que já estava morto antes do episódio começar...não conta), não há conspirações e nem pretensões em ser um grande episódio. Ainda sim, é bem gostoso de assistir. E tem mágica! Afinal, quem não gosta de um bom truque, hã?

Apesar de não haver um suspense, há uma charada bem montada para ser descoberta que vai nos levando, sem que percebamos, até o final. Sei que existem telespectadores muito inteligentes mundo à fora, mas duvido que alguém tenha matado todo o plano de Pinchbeck e LaBonge até que Mulder o revelasse. 

Mesmo acompanhando os personagens em momentos que nossos agentes queridos não tomam conhecimento, não conseguimos ver o lance da transferência chegando (ok, estou falando por mim, alguém com o QI acima da média aí pode me desmentir). A gente vai, claro, matando a charada em alguns aspectos. Fica claro em um certo momento, por exemplo, que os mágicos estão juntos nessa e que todo aquele ódio e rivalidade são puro fingimento. Só não entendi porque eles saem livres no final. Tudo bem que com a “carta na manga” de Mulder, a dupla não conseguiria cumprir seu objetivo, mas e todo o resto que fizeram para chegar até ali, não conta? No mínimo fraude, não?

Descobri, pesquisando, que os atores que interpretam Pinchbeck e LaBonge são mágicos de verdade na vida real. Fui saber porque eles agem com tanta naturalidade ao fazer os truques e as câmeras estão sempre acompanhando todo o processo, como se a apresentação fosse para nós, em casa. Dessa forma, se o cara realmente não tiver as manhas de um prestidigitador não rola e o diretor do episódio não faria questão de pegar cada detalhe sendo que pudesse ficar meia-boca.

Outra coisa que se torna frequente em episódios leves na sétima temporada: a vergonha que nossos personagens (leia-se Mulder) passam constantemente (o clássico “carão” ou “mico aka King Kong”). Por vezes sofremos daquela síndrome da vergonha alheia e nos passa aquele sentimento de empatia brevemente, mas na maioria das vezes a gente cai na risada mesmo! Uma hora é o Mulder indo arrumar um encanamento, assunto que ele obviamente não entende, se molha todo e ainda cai no ap de baixo (The Goldberg Variation). Outra hora é falando um monte de bobagem para uma gênia (que não está mais lá) na sala do Skinner com direito a uma reunião (Je Souhaite). Entre outros tantos que exploraremos eventualmente...rs. Neste episódio ficamos com o “carão” que o Mulder passa ao acusar, com toda a propriedade, o Sr. Pinchbeck de estar se passando pelo irmão e seu acidente ser mentira, daí o cara se afasta e não tem as duas pernas...uiiiiiii, essa doeu. O pior é que Mulder estava certo, mas para todos os efeitos, até esse momento do episódio, ele não estava e foi feio de ver! Adoro! Kkkk

Bem, e para os nossos agentes, o caso todo parece ser realmente tão divertido e leve quanto pra gente. Nem preciso comentar a intimidade e como é quase palpável o prazer que um tem em estar na companhia do outro, preciso? Mulder está a todo momento destrinchando suas teorias, de forma bem humorada para a parceira que recebe tudo com o mesmo bom humor. É tanta sintonia que no final, apesar da teoria ser do Mulder, Scully reveza com ele os detalhes ao contarem a versão aos mágicos. Quantas vezes presenciamos isso? Eles estão muito fofos mesmo. Foram momentos mágicos essa sétima temporada.

Como não amar:
- Scully de cartola
- Scully falando para Mulder que o truque dele foi melhor que o do Maleeni conseguindo fazê-la largar tudo e pegar o primeiro vôo para Los Angeles. (Hum, que truque será que ele usou heim? Falo nada!)
- Scully chamando Mulder de cético quando ele diz que o lixo já deveria ter sido removido com a pista que teriam para começar as investigações
- Mulder fazendo mágica para Scully e a reação dela
- Scully mostrando sua teoria sobre como Maleeni girou a cabeça, girando o braço em 360 graus e a reação dele, querendo saber como ela fez aquilo (own).
-LaBonge batendo a carteira dos agentes na maior e a cara de pastel deles. [/Fê Monteiro]
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Signs and Wonders (Sinais e Maravilhas)

[Cleide] Não sei vocês, mas este episódio me deixa muito nervosa, acho cobras apavorantes! 

Os episódios religiosos são constantes na série, mas curiosamente o pastor deste episódio mexe mais com a cabeça de Mulder do que com Scully, e no final das contas, ele é quem acaba sendo testado. Parece que a sétima temporada brinca um pouco com as posturas e o lugar que os agentes ocupam no nosso imaginário.

E por falar em estereótipo, é impressionante como nos julgamos o bem e o mal baseados neles, e como este episódio desconstrói estas imagens. Basta observar as duas cenas de culto contrapostas, discutindo a mesma passagem do Apocalipse. O mais moderado é aparentemente bondoso, no final das contas não estava ligado ao bem, e o pastor daquele culto maluco, no final das contas estava do lado certo...

Bons sustos e reviravoltas, com direito a uma piadinha infame de Mulder, é um episódio que mexe com nossos nervos. [/Cleide]
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Sein und Zeit (Libertação - Parte 1)

[Josi] Uma garotinha some inexplicavelmente de sua cama à noite estando sob o cuidado de seus pais. A nota de um suposto sequestro é escrita pela própria mãe durante uma espécie de transe. Creio que o fato deles teres escondido essa última informação foi o que impediu de Mulder ser chamado imediatamente. Mas Mulder tem um faro incrível para casos, então, ele mesmo se oferece.

Este é um episódio muito tenso e pesado. Sequestro e assassinato de crianças jamais pode ser passado como algo trivial. Sempre deixa sequelas nos sobreviventes. Os pais de Amber lynn já se mostram chocados pela perda e a mãe do garotinho que estava presa é até meio aérea. Mulder não se mostra muito diferente deles, afinal ele também já perdeu alguém dessa forma e isso ainda o afeta até hoje.

No entanto, ao contrário de outros casos de desaparecimento que Mulder já investigou, desta vez ele próprio se mostra confuso e lendo evidências de forma nebulosa. Eu fico preocupada quando Mulder fica simplesmente deitado naquele quarto escuro e sequer notifica Skinner de nada. Sei que não é muito diferente do que ele faz normalmente, mas num caso de desaparecimento, especialmente de crianças, tempo é algo primordial. Não à toa Scully é chamada para garantir que ele não saia de vez da linha.

Para completar o cenário estranho desse episódio, a mãe de Mulder aparece. Primeiramente ela liga para falar com ele, mas envolvido como ele está nessa investigação, ele não retorna a ligação e a próxima vez que ele tem notícias dela é para ouvir de sua morte. Acho que ninguém pode culpar Mulder por achar que uma morte em sua vida não pode ter uma explicação simples. Sua mãe se suicidou? Não pode ser, tinha que ter alguma conexão com o caso em que ele trabalhava... com sua irmã. Bom, não havia. Sua mãe sofria de uma doença degenerativa e seu desespero em não viver daquela forma era tão grande que ela sequer pode esperar para se despedir do filho.

Nota para a forma com que Scully dá as más notícias pra Mulder. Que mulher direta. rs

Uma cena que merece destaque é a que Scully vem contar o resultado da autópsia da mãe de Mulder. Ela deixa que ele esgote suas considerações sobre o acontecido pois ela sabia bem que ele não era mais dono de si ali e espera o momento certo para dar a notícia de que não havia dúvidas quanto ao suicídio da Sra Mulder. É uma cena muito sofrida e muito bem atuada por Gillian e David. Há vídeos de bastidores mostrando como eles gravaram tudo numa tomada só.

Os shippers de plantão morrem ao ver Scully abrindo a porta do apartamento de Mulder toda descabelada e parecendo que passou a noite por lá. Claro que todos sabemos que não aconteceu nada, MAS... ela passou a noite ali fazendo companhia pra ele e quer coisa mais casal? ownn... só seria melhor se ela tivesse tirado os sapatos porque aquilo ali não assentou bem com o clima. rs

Mesmo abalado de uma forma que raramente o vimos durante a série, Mulder segue juntamente com Skinner e Scully para atender um chamado dos LaPierre. O depoimento que ele ouve da mãe da criança sobre como viu o fantasma da menina parece que foi o pinguinho que faltava para derrubá-lo de vez e ele até pede uma licença ao sair de lá.

Bom que temos Scully que jamais ignora informações e faz ligações complexas entre elas. Sua sagacidade os leva diretamente ao "papai noel" que é mencionado no bilhete e o idiota foge exatamente para o campo onde ele enterrava as crianças.

Enfim... é sempre triste ver Mulder lidando com casos que tem ligação com o de sua irmã. Ele parece sempre tão desesperado para ter um descanso, para se libertar daquela dor. Não é preciso muito para que ele desacredite de toda a teoria sobre aliens em prol de qualquer outra que lhe dê alguma explicação definitiva. Ali, no meio daquelas fitas cassetes, ele fala acreditar que as imagens de sua irmã também seriam encontradas. E não há dúvida de que, depois, no meio daquelas covas, ele achava que encontraria o corpo de Samantha.

[CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO] [/Josi]
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Closure (Libertação - Parte II)

[Fê Monteiro] Permitam-me dizer, o teaser deste epi é um dos mais tristes e melancólicos que já vi. O monólogo de Mulder diz tudo. Sobre a infância roubada, sobre o silêncio em sinal de respeito frente a um cenário como aquele: dezenas de crianças desenterradas, uma a uma. Em seguida as almas delas saem dos buracos onde seus corpos ficaram escondidos por tanto tempo, como se finalmente estivesse livres. Triste e belo. 

Como o nome do episódio mesmo sugere, este é o encerramento de uma das grandes cruzadas do Mulder: a busca por sua irmã. É um alívio na verdade, para o Mulder e mesmo para nós! Afinal esse fantasma literalmente o assombrou pela vida, ele merecia esse descanso. E chega de 'fake' Samanthas (uhulll \o/ ).

Porém, apesar de encerrar essa tortura toda, não sei ao certo se gostei da conclusão. Achei simplista demais e me fez sentir enganada pela ilusão de Mulder...rs. Afinal, a gente vem assistindo e reassistindo anos a fio aquela cena na sala dos Mulder com os dois jogando/assistindo TV/brigando, fora todas as vezes que surgiram pistas do paradeiro dela e aparentes conclusões e, de repente, a gente descobre que aquilo tudo não aconteceu? Fiquei bege. Pareceu (e realmente foi) uma forma rápida de encerrar o assunto e não muito planejada ou de acordo com a mitologia da série devido à saída do DD ao final da temporada. 

Logo no início do episódio conhecemos o Sr. Piller que é médium e trabalha em conjunto com a polícia eventualmente para ajudar na solução de crimes e resgate de corpos. O mais triste e irônico é que ele não consegue saber o que houve com seu próprio filho, na verdade, ele não aceita mesmo. Quando é com você, é mais difícil né?

Eu entendo o ceticismo da Scully, sempre entendi, mas achei que ela foi um pouco grossa com o cara de primeira. Entendo que ela não quisesse mais um para colocar caraminholas na cabeça já confusa do parceiro, mas virar as costas e dizer que eles tinham trabalho de verdade para fazer, ui doeu um pouco. Talvez porque eu pessoalmente seja mais aberta a esses assuntos, não sei. Além de que realmente existe comprovação de sucesso em muitos casos auxiliados por médiuns, a polícia muitas vezes recorre realmente a essa ajuda, principalmente nos EUA. 

Para seu desespero, Mulder fica para ouvir o cara, lógico. Ela sente que não tem mais o que fazer por ali e resolve voltar para Washington sozinha. 

Piller conta a Mulder sobre a pequena Amber que realmente não estava entre os corpos encontrados, então ele identifica a 'cruz' que Mulder carrega e promete ajudá-lo a encontrar sua irmã também. Como Scully temia. Enquanto isso, no Bureau, ela assiste ao vídeo da regressão que Mulder fez em 89 (pausa para fazer careta para o cabelinho do Mulder sugerindo que ele era mais novo). O cara que analisou o caso de Mulder, revela a Scully que toda a recordação de abdução alienígena de Samantha foi uma ilusão compensatória, criada por culpa ou medo. Que é fato que ela sumiu em 73, mas que houve uma verdadeira força tarefa para encontrá-la e nada. Então ela ainda descobre, fuçando na casa da Sra. Mulder, que foi o Cancerman que pediu o encerramento das buscas por Samantha, o que aparentemente não surpreende seu parceiro. E de volta ao seu apartamento quem ela encontra? O próprio fumacinha – sumido desde Amor Fati. Mulder e Scully nem deveriam se dar ao trabalho de trancar suas portas, sério. 

Mulder recebe uma mensagem de sua mãe, sem perceber, com o nome de uma base militar já desativada. Uma base desativada mas que conta com uma patrulha 24h...suspeito não? 

Engraçado que assim, de repente, todo mundo resolve revelar o que realmente aconteceu com Samantha (aparece o Piller, o Canceroso procura Scully, a mãe do Mulder ía contar tudo também mas resolveu se matar primeiro, daí tem que falar por código, eles acham a tal enfermeira etc). A explicação fica por conta do que o Cancerman diz a Scully: nada foi revelado antes pois ele precisava do Mulder iludido e correndo atrás das pistas que eles jogavam, agora não mais. E quanto à Samantha, encontrou seu fim aos 14 anos, depois de sofrer e ser usada como cobaia por 6 anos, sendo levada pelos espíritos andarilhos, transformada de matéria em energia. Veja bem, é uma ideia muito bonita de fato, mas que não tem muito sentido, visto a quantidade de crianças que já sofreram e tiveram fins terríveis no próprio seriado. Acho que esse é o grande problema, funciona como consolo e conforto para Mulder, mas não convence.

A sequência na casa da Base, quando o garoto orienta Mulder até o diário e Mulder fazendo sua leitura com Scully na lanchonete, é tocante. A cena final também é muito linda, apesar de não soar como uma conclusão convincente. A música, as crianças brincando felizes, até a Amber bonitinha e pah! De repente vem uma Samantha (de cabelos lisos?! Alisamento fazia parte dos testes?) correndo direto para os braços dele...chorei né! Sempre me emociono com essa cena, não consigo segurar, sério. 

No fim, depois de tanto lutar, acho que Mulder estava cansado e realmente tão à fim de se libertar dessa história que ele comprou a ideia sem muita explicação. Era o fim da linha, ele mesmo deciciu, ele se libertou. [/Fê Monteiro]
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X-Cops (O Medo)

[Josi] Esse episódio é no mínimo diferente. Não é ruim de se assistir mas para quem detesta programas policiais deste tipo, ele também não entra no rol dos favoritos.

Creio que na época esse tipo de programa em que uma equipe de TV segue policiais para registrar ocorrências era bem popular. Não tenho ideia de como é hoje em dia. Não há um programa assim na rede aberta do Brasil? Nossa... odeio aquele programa. Sensacionalismo puro e apenas a visão da polícia sendo mostrada.

Outra coisa para a qual eu torço o nariz é o uso abundante de estereótipos. Eles não nos poupam aqui. O único que eu perdoo é o da moça com medo de ser morta pelo ex-namorado. Só porque este, 15 anos depois, ainda permanece bem vivo. A maior causa de morte de mulheres é pelo companheiro.

Colocando essas razões de lado, o episódio é legal. O plot é sobre algo que o título na tradução brasileira tira a surpresa totalmente, o medo. Eu tenho uma leve impressão de que esse tema já foi usado antes, mas não consigo lembrar quando nem onde. O medo aqui é como uma doença. Ele passa de uma pessoa a outra e se materializa da pior forma que cada um imagina.

Entre os personagens, temos que destacar o único casal LGBT+ que aparece em cena (que eu lembre) em toda a série. E eles nem são mortos! Uau! É algo a se comemorar até hoje em dia em que a representação está um pouco melhor. Eles são poupados pois o maior medo da casa é que um deixe o outro. Fofos demais.

Com relação aos nossos agentes queridos, Mulder se mostra desde o começo muito confortável com a câmera. Pelo visto ele mais do que superou o medo de sair em busca de monstros que ele tinha em Folie a Deux. Sua esperança era que a equipe de filmagem conseguisse registrar alguma coisa. Infelizmente para ele, o monstro da vez era invisível. Scully, por sua vez, não quer que nem ela nem o parceiro passem ainda mais por loucos, mas quando ela perde até o apoio de Skinner, "o FBI não tem nada a esconder" (seeei), ela se obriga a aceitar as câmeras.

O final não deu conclusão alguma pois as mortes apenas pararam com a luz do sol e ficamos apenas com a promessa de que aquela coisa voltaria na próxima lua cheia, naquele bairro ou em outro local qualquer onde o medo fosse algo comum e abundante.

Errata: Acabei de ver All Things e eu estava errada com relação a este ser o único casal LGBT+ que aparece em tela. Em All Things, as meninas até trocam um selinho. [Eu pensava que ela apenas dizia a Scully que tinha uma namorada rs] [/Josi]
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First Person Shooter (O Mundo Virtual)

[Josi] Um dos episódios mais sexistas da série? Sim! Ugh! Vou tentar ser generosa e pensar que a ideia dele é justamente expor a cultura de machismo/misoginia que sangra de jogos de qualquer tipo e especialmente os virtuais/online e sua indústria. Bom, minha bondade é grande pois a objetificação da personagem, da modelo usada e, finalmente, de Scully no final desmente essa ideia de exposição da verdade. rs

O tema é jogos virtuais. A indústria por trás desse tipo de entretenimento é muito grande e gera muito dinheiro. Tanto que esse tipo de desastre estar sendo lidado apenas por 2 desenvolvedores e 3 consultores é bem irreal mesmo para a época.

E, sim, tudo dentro dessa indústria é voltado para o público masculino. A cultura de que jogos desse tipo são apenas para meninos, pra que eles "aliviem sua agressividade" e que meninas simplesmente nem querem nem conseguem ter um bom desempenho nesse campo ainda é bem forte e bastante mentirosa. Neste ponto dá pra entender a frustração de Phoebe. Quem entra nessa área sente na pele o machismo de desenvolvedores, executivos e jogadores. Daí que ela sente a necessidade de extravasar e passa a trabalhar secretamente em seu próprio jogo com uma personagem feminina (notem a surpresa nos Pistoleiros quando percebem que há uma mulher no jogo... "mas isso é impossível!" Né? Até hoje muito desenvolvedores acham muito difícil programar garotas. aff).

Aparentemente a frustração de Phoebe era grande o suficiente para que sua personagem saísse de seu jogo, dentro de seu computador para o outro que seria comercializado e passou a matar pessoas ao "se alimentar da agressividade masculina". Amo como Scully se coloca ao lado da programadora. O que não é uma surpresa, pois não seria a primeira vez que ela sente empatia com uma garota tentando sobreviver num ambiente dominado por homens.

Não contentes com o tom sexista do episódio, as posições de Mulder e Scully também são estereotipadas. Scully acha isso tudo uma grande tolice, coisa de gente imatura e se posiciona de forma conservadora falando como se jogos violentos produzissem violência. Mulder ama tudo e até conhece jogares profissionais e famosos da área, que, claro, é um rapaz que aparenta ser asiático. Oh god...

Pausa para a cena totalmente desnecessária com a moça na delegacia que teve seu corpo escaneado. Sabemos que mulheres que usam seu corpo para ganhar algum dinheiro são desrespeitadas por todos os lados, mas a gente esperaria que numa série que se orgulha em ter uma personagem que é um ícone feminista, esse comportamento seria pelo menos mostrado de forma negativa e não como "homens são assim mesmo". *suspiro de quem está desapontada mas não exatamente surpresa*

Para cortar um pouco a onda machista, ao final quem salva o dia são as mulheres. Primeiro, Scully é obrigada a partir em busca de Mulder dentro do jogo (sério, Mulder? Você tinha que ir atrás da assassina virtual? Você tinha que ser assim tão irresponsável? aff). E claro que ela é super boa nisso, pois ela é uma agente treinada e que atira super bem. Depois, como forma de retirar os dois agentes do meio do perigo, Phoebe revela o comando de destruição do jogo (não tenho a menor ideia do porquê dele existir, aliás. Um dia perguntarei a alguém que programe se isso é algo comum), desta forma, o ambiente virtual é eliminado juntamente com a assassina.

Mas sério, poderíamos viver sem aquela cena do carinha chato e ambicioso usando a imagem de Scully e a colocando na mesma posição da assassina virtual. Isso tudo obviamente sem o consentimento dela. Nojinho.

Apesar de tudo é divertido ver Mulder todo empolgado como uma criança ("meu aniversário está chegando!") e Scully estourando tudo. [/Josi]
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Theef (A Perda)

[Fê Monteiro] Feitiçaria e vingança resumem esse episódio, um tanto quanto pesado. Não fosse o claro clima da Califórnia daria para dizer que é um monstro da semana das antigas. É tenso, sinistro, aflitivo, tem Scully em apuros e Mulder chegando na hora certa.

É também o episódio em que Scully deixa Mulder “sempre adivinhando”...rs. Apesar da atmosfera pesada do caso, os agentes estão numa atmosfera que é só deles, como em todos os episódios desde que a sétima temporada começou. É sussurro daqui, sorrisinho dali, mensagens subliminares acolá e a gente só acompanhando. Na verdade são eles que vivem nos deixando na dúvida.

Gosto muito da atuação do cara que interpreta o Sr. Peattie, apesar do personagem ser bem estereotipado ele o faz muito bem. Toda vez que ele surge dá até um frio na espinha, aquela expressão de “não tenho mais nada a perder”. Acho que o que torna a história mais legal é a premissa assustadora de que não importa quanta tecnologia e expertise tenhamos, quando você lida com forças sobrenaturais, não há muito o que fazer. 

Tenho muita dó do médico, afinal dá a entender que ele realmente fez o que foi possível para salvar a menina, e não tendo mais como ajudá-la resolveu ao menos colocar um fim ao seu sofrimento. Porém, apesar dos métodos horríveis e desumanos que o Peattie usa para ir tirando a vida dos familiares do Dr. Widler, para lhe fazer sentir o mesmo que ele sentiu ao perder a filha, acabo conseguindo entendê-lo de certa forma. Não aceito a vingança, mas paro para pensar em quão sofrida a vida lhe deve ser. Sem estudos, morando em um vilarejo afastado, nascido e criado naquela cultura, tendo a feitiçaria como seu único recurso e ainda perde a pessoa que devia ser sua única família. Na verdade é o antagonismo puro aqui: o cara com a vida perfeita de um lado e o cara com a vida em ruínas do outro, que acredita que o primeiro é o protagonista de sua desgraça.

No fim, permanece realmente a pergunta: se o Sr. Peattie poderia ter salvo a filha com sua magia, caso tivesse chegado antes do Dr. Widler fazê-la partir. Quando paro para pensar nisso, consigo entender mais ainda o que pode ter sentido esse pai. É aquele botão que todos nós temos, do bem e do mal em potencial. Em algum momento, alguma coisa faz esse botão virar e se não temos o controle, uma mente sã ou noções básicas de empatia, isso pode tornar uma pessoa aparentemente normal em um assassino. É o limiar da humanidade com a barbárie, cada um tem seu ponto.

Quanto aos queridos. Sim, eles salvam o dia, mas acho que faltou alguma coisa naquele final. Mulder nem suou...rsrs. Foi só chegar e puxar os alfinetes do vudu da Scully e pronto. [/Fê Monteiro]
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En Ami (A Salvação da Humanidade)

[Josi] Um garotinho com câncer cujos pais se recusam a deixar que ele receba tratamento é curado miraculosamente. Alguém faz com que a curiosidade de Mulder e Scully recaia sobre este caso e quando Scully vai visitar o menino, ela nota uma cicatriz bem semelhante a que ela própria tem no pescoço.

Aproveitando-se certamente do momento de abalo emocional dela, o Canceroso a aborda com uma proposta bastante indecente: "Se você quer ter essa cura nas mãos, me procure." Talvez se não fosse a verdade de sua própria saúde e do fato dela estar mais aberta a possibilidades extremas, ela teria simplesmente virado as costas e percebido a armadilha. Mas talvez ela tenha imaginado "e se" e talvez ela tenha tido a certeza que saberia se defender sozinha, afinal ela era uma agente federal.

Scully, então, aceita todas as condições do Cança e sai com ele para buscar a tal cura, que a princípio seria apenas para o câncer. Quando ela começa a mostrar um pouco de hesitação, a coisa se abrange e agora a cura é para todas as doenças. Então, claro que Scully fica porque... e se? Ela sai se submetendo aos abusos e a manipulação dele até que chega um ponto em que ela meio que acredita que ele poderia estar sendo sincero.

Mas toda essa boa vontade (apesar de hesitante) de Scully me perturba. Não parece ela. Onde está nossa garota cética que duvida de tudo? Scully sempre desprezou o Canceroso. Enquanto Mulder caía em suas lorotas, ela revirava os olhos. De repente ele vem com uma conversa doce de que está a beira da morte e arrependido e que daria a ela a chave para a cura de todas as doenças do mundo... e ela faz tudo o que ele pede. Era de se esperar que ao menos quando ela visse que Cobra esperava que eles se conhecessem, ela tentasse escapar com o CD. Mas nem isso.

E onde estava Mulder enquanto isso tudo acontecia? Louco de preocupação pois, lide com essa, mas uma simples mensagem dela de que estava com emergência familiar não mais o tranquiliza. É muito fofo quando ele está no escritório de Skinner e fica todo feliz pensando que falaria com ela finalmente. Daí ela desliga sem querer falar com ele e Mulder faz uma carinha tão decepcionada! rs

Quando Mulder chama os Pistoleiros para tentar encontrá-la, certo de que ela corria perigo de vida, eles encontram evidências de que Scully estava mesmo sendo usada num esquema que se desenrolava já a algum tempo.

Entretanto, tudo isso se mostra uma perda de tempo, já que eles não conseguem encontrá-la. Quem acaba salvando Scully é o próprio Canceroso. Mas não entendi exatamente se ele já planejava isso, assim ele ficaria com o conteúdo do CD só pra si. Ou se ele acabou se afeiçoando mais ainda pela Scully e não teve coragem de deixar que a matassem. Não seria a primeira vez que o Cança teria um episódio de compaixão por alguém que ele ama/admira.

Assim Scully volta para casa para um Mulder de cara fechada (ah, Mulder, seu lindo. Como se você nunca tivesse feito o mesmo com Scully), um CD vazio (pra quê os 3 pistoleiros apenas para dar a certeza de que uma mídia dessas estava vazia? rs) e todas as evidências de que ela tinha sido enganada e manipulada.

E para nos deixar ainda mais confusos, o Cança joga o CD verdadeiro fora no melhor estilo Rose-no-final-de-Titanic de ser. [/Josi]
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Chimera (Quimera)

[Josi] O tema desse episódio é "aparências" e como estas são comumente diferentes da realidade. E ele já começa bem ao mostrar uma senhora da alta sociedade em sua festinha perfeita de páscoa mostrando-se bastante preconceituosa. O teaser termina com ela sendo atacada em casa por um monstro.

Voltamos para ver Mulder e Scully de tocaia em um apartamento de periferia tentando desvendar o desaparecimento de algumas prostitutas. Quando Skinner chama Mulder, Scully continua lá e cada um cuida de um caso.

Antes de continuar, eu gostaria de fazer uma reclamação pública contra o agente Fox Mulder e sua mania de reclamar dos casos que lhe são dados por AD Skinner. Melhore, Mulder!

Enquanto Scully fica lá no AP todo sujo observando grupos de pessoas marginalizadas pela sociedade, Mulder segue para o caso da senhora desaparecida e cai dentro de uma vida de sonhos. Pelo menos este é o sonho dourado de uma boa parte das pessoas. Somos condicionados a achar que este é o ideal da vida de todos. Casa limpinha, bem arrumada, comida caseira, casal hetero/branco/classe média, a mulher é dona de casa e cuida dos filhos e do marido, que tem um emprego bom o suficiente para sustentar a casa. Comercial de margarina perde pra toda essa "perfeição".

Ellen foi tão bem condicionada a esse pensamento que ela faria absolutamente tudo para manter esse estilo de vida... mas não conscientemente, pois ela é uma pessoa boa e jamais faria mal a ninguém. Aposto que ela sequer falou algo intencionalmente grosseiro pra alguém. E Arquivo X já nos mostrou mais de uma vez que este tipo de repressão de si mesmo nunca resulta em algo bom.

Geralmente as pessoas surtam, choram... algumas reagem em diferentes níveis violência contra outras. Ellen, no entanto, foi além. Toda a sua frustração acumulada gerou uma outra personalidade que se manifestava na forma de um monstro que destruía o que quer que estivesse no caminho de seu ideal de vida. Assim ela matou as duas amantes de seu marido e Mulder estava se tornando sua terceira vítima quando ela finalmente conseguiu ver seu reflexo e toda aquela feiura a fez voltar a si.

Ellen é a representação de todas nós, mulheres, que durante muito tempo tivemos que viver caladas e reprimidas, obrigadas a uma vida de aparências e tendo que engolir todos os maus-tratos do marido e ainda tendo que brigar com outras mulheres pois a opção de revidar contra o homem não existia (isso está no passado para nós que temos esse privilégio. Muitas de nós ainda vivem repressões ainda mais violentas). Essa cultura infelizmente ainda vive e continuamos achando que precisamos competir umas com as outras. Mas a gente chega lá... esse monstro está sendo derrotado aos poucos. 

Agora vamos falar um pouco do marido. Pobre coitado que arrumou DUAS amantes, dizia que amava as duas e afirmou que não buscava desculpas ao acusar a esposa de tê-lo obrigado a continuar com o casamento com uma gravidez súbita. Concordo que é um golpe baixo mas uma criança não se gera sozinha, normalmente precisa de duas pessoas pra isso e quase nunca obriga duas pessoas a continuarem casadas. E certamente não faz com que ninguém tenha que arrumar várias amantes!!!

Ponto que não pode deixar de ser comentado: Mulder como hóspede e sendo mimado. *risos eternos*

Outro ponto que não podemos deixar passar:
ELLEN ADDERLY: "Do you have a ... a significant other?"
MULDER: "Um, not in the widely understood definition of that term."
"Você tem alguém importante?" "Não da forma como esse termo é entendido geralmente" [tradução grosseira]
Ele não nega. *joga confetes*

Com relação ao lado de Scully do episódio, foi muuuuito legal ver ela ficar toda cheia de dengo com o namor... parceiro. Aquela frase dela de "quando você encontrar o meu corpo morto olhando por este telescópio (...), saiba que eu morri pensando em você... e em como eu gostaria de te matar" foi muito usada por mim em diferentes ocasiões! kkkkkk É perfeita pra quando você está entediada ao extremo e outra pessoa se recusa a te ajudar. rs

Scully acaba resolvendo o caso das prostitutas desaparecidas. A tal mulher que sumia no ar era na verdade um homem, um pastor, que se vestia de mulher para ganhar a confiança das moças e assim poder oferecer a elas uma outra vida.

E cá está a moral desse episódio. Num lugar onde parecia apenas haver coisas feias, Scully encontrou a história de um homem que salvava pessoas de uma vida ruim... e note como o próprio pastor também estava consciente de que ele encontraria boas almas onde geralmente só viam sujeira. E onde parecia que tudo era lindo e perfeito, Mulder encontrou monstros, mentiras e sujeiras. [/Josi]
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All Things (Todas as Coisas)

[Fê Monteiro] Finalmente chegamos ao polêmico episódio onde Scully se reencontra espiritualmente e, pela primeira vez, a produção nos mostra, mesmo que subjetivamente, que o relacionamento dos protagonistas já passou de platônico para físico faz tempo.

Levanta a mão quem, assim como em The Unnatural, assistiu umas duas vezes esse episódio inteiro e umas duas mil vezes o teaser e o final ( o/ ). Hahahahaha...shippers! 

Mas, muito bem. Vamos lembrar que este episódio foi a estreia da Gillian como escritora e diretora. E fica muito evidente sua marca pessoal neste trabalho, assim como fica evidente a forma como a atriz enxerga a sua personagem e isso é muito legal de experienciarmos. A trilha sonora (Moby, Moby e mais Moby) também define a atmosfera intimista e zen do episódio.

Como resultado final, muitas pessoas tendem a não gostar desse episódio. Ele foge bastante de qualquer outra coisa que já foi feita em AX e se centra completamente em Scully. Faço até um paralelo com Amor Fati, como se fosse sua contraparte. Em Amor Fati vemos o que Mulder aparentemente via como uma vida perfeita (o que não significa que era o que ele queria), um caminho que ele não escolheu e se pega vivenciando isso para, ao final poder refletir e ficar ainda mais decidido com suas escolhas feitas, compreendendo o rumo que sua vida tomou – isso tudo fora o fato de que o David também ajudou a escrevê-lo, ou seja, colocando um pouco de sua visão sobre seu personagem. 

Aqui em All Things, vemos Scully passando por um momento de confusão e crise existencial e se perguntando sobre suas escolhas. Por uma série de causalidades (não acredito no acaso, e tampouco o episódio se mostra assim), Scully reencontra, internado no hospital, Daniel, um antigo namorado e também professor – o que tem tudo a ver com aquela fala dela sobre ser atraída por homens controladores e autoritários em Never Again. Porém, não fica muito claro se eles foram amantes ou se ele largou a família por ela. A filha dele, Maggie, depois de tantos anos ainda nutre muito rancor por Scully (achei um pouco exagerado, afinal ela não é nenhuma adolescente pra agir daquele jeito, mas que seja) e aparentemente a culpa por ter arruinado sua família e ainda tê-lo deixado. Enfim, é um passado que não gostaríamos de saber sobre nossa querida agente, mas todos têm um passado que os condena (veja o Mulder por exemplo).

O fato é que ele sofre de uma condição, um tanto crítica, do coração e ela descobre que ele ainda a ama e sente sua falta (que mulher marcante heim), tanto que até se mudou para Washington atrás dela (ô mulher pra chamar cara esquisito metido a 'stalker' também heim, vish). Entendemos que as coisas ficaram realmente mal resolvidas e que isso o atormenta. Eu não entendo bem se Scully se sente: a) tocada b) culpada c) nostálgica d) todas as anteriores. Mas sei que em meio a um momento de lembranças e emoções à flor da pele o cara tem uma parada cardíaca e ela consegue reanimá-lo, para em seguida ele entrar em coma.

Em suas andanças para, um tanto à contragosto, ajudar Mulder que está na Inglaterra desvendando Crop Circles, ela se depara com uma mulher toda new age (não é a Reyes ainda), budista, que lhe conta sobre chakras, energia curadora e sua história de superação de um câncer através do auto descobrimento e auto aceitação. Claro que ela fica cética, mas com a pulguinha atrás da orelha. Então ela sai para andar mais (ela anda bastante nesse episódio) e acaba dentro de um templo budista, tendo visões de toda a sua trajetória e do sistema circulatório do Daniel. Ali ela tem algum insight. 

Aparentemente isso nos mostra que ali foi um tipo de divisor de águas para ela. Ela sai diferente, mais aberta – o que muitos fãs consideram como artificial e que traz muitas críticas por fugir de sua personalidade. Penso que isso é passível de ser real, e que, inclusive os personagens, como já disse e repito, se tornaram tão complexos que nem o criador, nem os escritores, nem os atores têm mais controle sobre eles. Portanto, eles podem fugir do óbvio. Mas entendo que é um terreno perigoso e somado à languidez presente no episódio, isso acaba não funcionando muito bem. Talvez, se houvesse ocorrido na temporada passada fizesse mais sentido. 

E, ao final ela acaba conseguindo tratar de Daniel com terapia alternativa, com o consentimento e até simpatia (forçado de novo) da ex-enteada. Assim, ela encerra definitivamente seus laços com ele e essa história, que começou errada. 

Toda essa auto descoberta e esse estranho passado que vem à tona servem para mostrar que se Scully tinha alguma dúvida de que tomou as decisões certas em sua vida, a partir dali ela não tinha mais. 

Ah... Temos o detalhe e simbolismo da moça de boné que chama a atenção de Scully. Durante todo o episódio ela a vê várias vezes e sempre que a persegue, algo acontece. É como um guia, algo que indique por onde deve seguir e que, coincidentemente (não) acaba se transformando no Mulder ao final, quando ela finalmente alcança a figura. 

Para terminar temos o diálogo de Mulder e Scully - no sofá do apê dele, tomando chazinho, ombro com ombro, pés pra cima – sobre tudo que aconteceu a ela naqueles dias. Mulder tão surpreso quanto nós faz suas ponderações sobre os caminhos que escolheram, que os levam exatamente àquele momento e que aquilo diz muito (own). E nessas alturas Scully já adormeceu e nosso coração aquece com a delicadeza dessa cena final. O teaser inicial é obviamente o prólogo do episódio (embora, pasmem, algumas pessoas ainda não reconheçam) e, juntando as peças, constatamos que ela não dormiu no sofá por muito tempo naquela noite. Fanfictions e a imaginação dos shippers está aí para preencher as lacunas. Só resta descobrir por que raios dela sair furtivamente ao raiar do dia. Só Gillian para responder essa. [/Fê Monteiro]
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Brand X (O Cigarro da Morte)

[Josi] Um homem que planeja testemunhar contra uma grande empresa de cigarros corre risco de vida por isso. Assim, Skinner é designado para protegê-lo. Quando o homem morre mesmo com a vigilância pessoal do Diretor Assistente, ele chama seus melhores agentes para ajudá-lo no caso.

Olha, tudo bem que Mulder tem insights incríveis, mas foi um pouco demais que ele tivesse ligado de primeira um besouro perdido longe do corpo à morte da pessoa. Isso já não é ser um grande investigador mas sim competir com Mr Yappi!

Amo Mulder lidando com essa gente arrogante. A cara de enojado que ele faz quando as pessoas são mesquinhas e egoístas faz minha vida mais feliz. Quem não adora quando ele rebate o advogado idiota com suas próprias palavras? *palmas de pé* Ele falando com o pesquisador e com Daryl também é ótimo. O papel de Mulder aqui foi apenas perceber primeiro que o besouro era a causa da morte, dar foras no povo e depois ficar doente rs. Todo o resto foi sendo guiado pelos exames de Scully, da cientista e as prensas de Skinner. Até o final, quando é a vez de Scully de ter o grande insight de olhar para as mãos de Daryl e ligar uma coisa à outra.

Sobre Daryl... que carinha nojento. Esse nem é um monstro em si, apenas uma pessoa que poderia ter alguns genes mais fortes, mas se mostrou um sujeito de quinta categoria. Ele sabia bem o que a fumaça de seu cigarro causava e não apenas não se importava como matava conscientemente. Honestamente, acho que Skinner esperou tempo demais para atirar nele. Ele merecia uma bala no momento que acendesse a chama do cigarro. 

A propósito, notaram como esse episódio é uma mina de ouro de críticas? Amo tudo isso.

Primeiro vamos atacar as grandes corporações. Qualquer pessoa que estuda com um professor decente aprende que o objetivo principal de toda empresa é o lucro. Esqueça toda essa bobagem de "ser o melhor em..." As empresas que não visam primeiramente o lucro são aquelas que produzem caridade. Este episódio esfrega isso na nossa cara. Pessoas estão morrendo mas a única preocupação dos sócios é manter o segredo de suas pesquisas. E claro que eles não pensam em simplesmente parar com elas... seria muito caro. Impensável.

O segundo ponto atacado: cigarros. Já na época de Arquivo X, fumar já não era visto com bons olhos. Alguns governantes do mundo passaram a notar que os gastos com a saúde das pessoas que fumavam era muito maior do que os impostos recebidos. Então, chegou a hora de deixar de colocar para baixo do tapete os óbvios danos à saúde que este vício causa. Sempre atento a seu tempo, nossa série mostrou desde o início de que lado estava ao colocar seu maior vilão como um grande fumante (Mas como é bom mostrar que as pessoas que fumam não são necessariamente vilãs, tivemos a Reyes). Neste episódio, é destacado bem como até fumantes passivos são altamente prejudicados.

Terceiro ponto: transgênicos. Não creio que a ideia tenha sido exatamente atacar toda a linha de pesquisa, mas lançar uma luz sobre como mudanças na natureza feita pelo homem nem sempre resulta em algo bom. Aí estão todas as pessoas hoje em dia com diversos níveis de intolerância a glúten e a lactose... e todas outras doenças que surgem por erros de nossos cientistas.

Outros pontos que merecem destaque:

- Mulder fica doente. Ou seja, mão cheia para momentos shippers. Que linda a cena em que Scully vai vê-lo no quarto e pega na mão dele... Estão tão casal ali... ai ai...
- Mulder com nojinho. Sempre entra como uma das melhores partes de qualquer episódio. A cara que ele faz quando Scully mostra o pulmão do homem cheio das larvas é priceless! Mas temos que ponderar que não devia estar bonito mesmo porque até Scully e Skinner ficam fazendo cara de nojo. rs
- Scully segue sem exatamente ir contra a teoria de Mulder. E antes que alguém fale que é só porque eles estão juntos, lembre de All Things e como ela deixou ele ir viajar sozinho porque não acreditava que aquilo desse em algo que prestasse. 

E para fechar, temos o final com Mulder sendo palhacinho e inventando que agora estava com vontade de fumar. Mulder, shiu. [/Josi]
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Hollywood AD (Hollywood depois de Cristo)

[Cleide] Um episódio doido desses só podia mesmo sair da cabeça de David Duchovny. Hollywood AD é uma brincadeira divertida com os personagens, quase um estudo dos personagens principais da série. Um destes episódios que a leveza da sétima temporada, e o período pós revelações de Arquivo X nos permitiram.

Particularmente, eu me perco um pouco neste episódio, pois não consigo acompanhar muito bem as referências propostas por DD, como o tal Michah Hoffman da contracultura americana. Pesquisando eu descobri que David referenciava um cara chamado Mickael Hoffman dos anos 1960 que era falsário e criava polêmicas com a igreja. 

De qualquer forma, é muito engraçado alguém apelidar Skinner "Skinman" e ficar xeretando Mulder e pasmem, "shippando" Scully e Skinner, aff! O mais divertido é que ele só vê uns detalhes do caso e tira suas conclusões para a construção do roteiro, e nem se dá ao trabalho de acompanhar as investigações a fundo.

Skinner está caracteristicamente exuberante neste filme - fora a piada de que ele seria interpretado por Richard Gere no filme ( o que é uma menção às comparações da semelhança entre o ator e DD na época em que Arquivo X estava no ar), e a bronca exagerada que ele dá nos agentes, especialmente Scully por conta da autópsia na pessoa errada, ou erro na identificação do corpo - whatever.

Algumas coisas para mim não fecham no roteiro: as duas alucinações de Scully, na autópsia e quando ela vê o tal Micah na cruz no lugar de Jesus. Não há explicação para este tipo de alucinação que possa ser ligada ao caso que investigaram, mas vá lá... Hollywood A.D vale pela diversão e pelo clima shipper.

Para nós é um prato cheio, primeiro por que o episódio já começa com os agentes assistindo ao filme, na cena super constrangedora de seus personagens se pegando, e eles com aquela cara "ai meu Deus, até meu chefe tá assistindo isso!" aos diálogos leves e divertidos dos dois durante o episódio, ao final, em que suspensos do FBI eles vão para L.A. 

Em Hollywood é tudo bacana, especialmente o último diálogo, em que claramente percebemos que Mulder e Scully definitivamente são um casal. A agente está toda sorrisos, ouvimos até sua risada, e Mulder todo chateado por terem entendido tudo errado e feito aquela imagem tão constrangedora deles, seu relacionamento e seu trabalho no filme de Federman. Scully está tão feliz, que nem o filme a chateia... é noite de farra à dois, às custas do FBI... as meninas sabem, eu tenho uma teoria, de que William foi concebido nessa brincadeira aí... [/Cleide]
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Fight Club (Luta de Gêmeos)

[Fê Monteiro] Este é considerado como um dos piores episódios de Arquivo X pela crítica geral. Eu não diria que é, mas chega perto. Na verdade é um episódio muito non-sense, com um plot que poderia ser muito bom se melhor desenvolvido, mas que se torna repetitivo e chato.

O tema, exaustivamente explorado, é a duplicidade/bipolaridade. Temos várias referências a opostos similares constantemente. As casas de Betty e Lulu que são idênticas, só muda a cor, os carros idem, as lojas de foto cópia onde elas vão trabalhar, os missionários do início do episódio etc. Até mesmo a troca de posição momentânea entre Mulder e Scully mostra essa bipolaridade, ela liga todos os poucos pontos que Mulder lhe fornece sobre o caso e ela rapidamente traça os perfis e chega à teoria dele, assim como ela é quem dá as ordens nesse episódio. Sem esquecer do “é por isso que colocam o 'I' em FBI” dela. Claro que essa inversão torna o episódio mais aprazível, mas ao mesmo tempo os agentes estão separados na maior parte do tempo, sem fazer grandes evoluções no caso. 

O objetivo claro de Fight Club é ser engraçado e leve, mas os personagens são cansativos e sem carisma, o que se torna uma tarefa complicada. 

Acho interessante a premissa de que as mulheres são gêmeas de mães diferentes (?!), frutos dos espermas doados por um homem muito, muito zangado. E que, por ser um fenômeno ímpar as duas não podem permanecer no mesmo ambiente que o universo entra em colapso e todo mundo se arrebenta...rs. Eu entendo que isso ocorra porque elas são polaridades, ou seja, são idênticas em aparência e até em seus gostos e alguns traços de personalidade, porém uma é o pólo negativo e a outra o positivo, não que signifique que uma é ruim e a outra boa, apenas opostos e como tal devem permanecer separadas pois se repelem. Em contrapartida, como diz o velho ditado, os opostos se atraem e esse paradoxo gera toda essa confusão na vida delas. Elas não se suportam, mas não conseguem se manter afastadas, por onde uma passa, mais cedo ou mais tarde a outra passa também.

Realmente poderia ter rendido muito mais, alguém perdeu a mão aí no meio infelizmente. Uma coisa que penso ser confusa é colocarem os agentes no início, dublados por David e Gillian, de costas, para nos fazer crer que são eles e depois percebermos que são apenas seus sósias. Porém, quando podemos vê-los, são meramente parecidos. Isso não encaixa como referência ao que acontece com as mulheres e com Bert e seu irmão, nem com aquela máxima de “todos têm um gêmeo em algum lugar por aí”. Afinal, ou é igualzinho ou não né?! À propósito, quem faz o fake Mulder e a fake Scully são os dublês de ambos.

De qualquer forma tem seus momentos divertidos e shipers, claro. Adoro a cara do Mulder enquanto Scully vai desenrolando toda a teoria e depois ele solta um “não pense que vou começar a fazer autópsias”. Sem mencionar quando Mulder começa a contar à Scully sobre os agentes e suas trajetórias quase idênticas às deles. Citando que trabalham juntos há sete anos, ao que Scully parece intrigada e ele já esclarece que aqueles agentes não estão romanticamente envolvidos, se é isso que ela está pensando. Então ela arremata com um “nem mesmo eu seria tão exagerada” (aqui entram as várias definições para far fetched, que pode ser também algo como improvável, não natural, forçada etc) e a carinha que ele faz, do tipo “aham”. Hum, esses diálogos subliminares...rs

Também é divertido ver Scully toda calma, falando macio com o homem muito zangado (no caso o pai doador de Betty e Lulu) na prisão. O cara realmente é um poço de mal humor e estupidez, afee. Mas me divirto com as reações dela. E a cara que Mulder faz quando Bert diz “sim, senhor” para Scully e rápido corrige “senhora”...rsrs. Entre outras tiradas, piadinhas e gracejos. 

No fim, o caso não é resolvido e ficamos sem saber o que realmente gerou aquele fenômeno. E Scully, achando que arrumou uma forma de resolver o problema, coloca mais lenha na fogueira e até ela e Mulder saem chamuscados. [/Fê Monteiro]
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Je Souhaite (Três Desejos)

[Josi] Às vezes eu não acredito quando algumas pessoas me falam que não gostam deste episódio. Tá que joga com uma tema que já foi explorado pela Disney, mas isso é o de menos. Ele é divertido e, como um bom Arquivo X, termina nos fazendo repensar nossas vidas.

A única coisa que eu tenho a reclamar deste episódio é sobre uma atitude da Scully. Não acho que ela reagiria daquela forma ao ver a boca do homem deformada. A mulher é uma médica formada, costumava dar aulas na academia do FBI e passou sete anos vendo coisas estranhas. Você pensaria que ela não gritaria quando visse um homem com uma boca costurada. 

Não sei quanto à vocês, mas essa temporada inteira (ou quase), sempre que eu vejo Mulder e Scully interagindo, eu tenho a impressão que eles estão bem leves e felizes e que aquela tensão sexual pesada de antes passou a algo menos urgente, como se eles pudessem esperar algumas horas antes de voltar pra cama juntos de novo. 

Bom, o episódio em si trata de uma jinniyah, que seria um gênio feminino, segundo Mulder. No entanto, diferente das histórias que geralmente escutamos, essa criatura (que eu passarei a chamar de Jenn como Mulder fez) não tem a menor vontade ou paciência para ler os corações de seus mestres e conceder seus desejos da mesma forma que eles os pensaram. Não a culpo. Despois de 500 anos ouvindo desejos idiotas e egoístas das pessoas, eu também estaria de saco cheio.

Sendo assim, ela concede os desejos da forma mais literal possível. Note que o primeiro rapaz não pediu para que o chefe "calasse" a boca... a tradução literal do "shut up" é fechar. Então, ele tinha pedido para que o cara fechasse a boca e assim ela o fez. Exatamente como foi pedido. E desde modo os outros pedidos são concedidos tanto para esse rapaz quanto para o seu irmão. Eu tenho uma leve pena do irmão com a deficiência. Creio que ele é daquele tipo de irmão mais novo que está acostumado a sempre seguir e adorar o mais velho cegamente. Para com este, no entanto, me falta boa vontade. Notem a forma como ele morreu. Ele pediu para se tornar invisível e quando Jenn perguntou se era para entrar em vestiários femininos, ele respondeu "NÃO APENAS isso". ARGH! E ele estava a caminho de usar sua nova habilidade para assediar duas moças quando foi atropelado.

Isso nos leva a Scully e as cenas dela com o cadáver invisível. Ai, amor... onde estão suas habilidades como investigadora e cientista? Vince Gilligan não quer lembrar desses seus dotes não é? Tudo bem. Vamos combinar pessoal que mesmo naquele tempo, ela pensaria que deveria manusear o corpo em frente a uma câmera e chamar outro médico. Talvez assim ela não tivesse passado aquela vergonha toda na frente dos outros cientistas de Havard. Mas ela estava tão feliz, quase eufórica. Isso pelo menos prova que a maior felicidade de Scully nunca foi provar que Mulder estava errado, mas ter evidências concretas da paranormalidade.

Depois que o irmão mais novo consegue literalmente destruir e jogar tudo para o ar com seus desejos errados, Jenn passa a ficar à disposição dos de Mulder. Aí é o momento dele e de nós como audiência levar o tapa na cara. Aposto que todo mundo estava pensando que claro que nada ia dar certo com aqueles dois idiotas mas olha agora com Mulder, nosso querido, agora sim desejos legais virão. E Mulder não decepciona. Inteligente, perspicaz e cheio de boa vontade, ele faz o seu desejo: paz na Terra. Sim, eu ainda não sou cínica o suficiente para virar os olhos para isso, mas Jenn já tem mais de 500 anos e conseguiu ver a arrogância daquilo. Sério que ele queria assim tão fácil e rapidamente mudar os corações de mais de 5 bilhões de pessoas e retirar a sua vontade própria? E esquecer que nem sempre "paz" é um conceito universal? Isso me lembra da ideia de algumas pessoas de que se elas mandassem no mundo, tudo seria melhor. Assim pensam e pensaram os grandes e piores ditadores do mundo, meu filho. As coisas não devem ser como apenas uma pessoa quer.

Ok, mas alguns pontos interessantes saíram deste incidente.
1. Vimos que a pior parte para Mulder de um mundo vazio é Scully não existir.
2. Tivemos a cena de maior vergonha alheia da história da série. Ganhou daquela de The Host que Skinner faz Mulder passar. Aquela é uma vergonha normal, esta foi além do inimaginável e Mulder assinou seu registro como avoado com testemunhas. Tadinho...
3. Novamente, o conselho de Scully é que faz com que ele repense suas ideias e tome o caminho correto.

No final, vemos que Mulder é realmente uma criatura cheia empatia pelo próximo. Ao ver que um desejo perfeito não era realmente possível, pois "temos que chegar lá por nós mesmos", ele faz a bondade que está mais ao alcance de suas mãos e liberta Jenn daquela maldição. Muito bom ver sua felicidade ao poder finalmente aproveitar um pouco sua própria vida novamente.

E como bônus para nós, ganhamos um genuíno "encontro" entre Mulder e Scully. Ele a chama para sua casa para assistir a um filme com direito a cerveja e pipoca. Esta cena está entre as minhas favoritas.

"Não sei se você percebeu, Scully, mas não fiz do mundo um lugar mais feliz"
"Eu estou feliz. Já é alguma coisa."

Um momento realmente feliz e perfeito para os dois. Um dos últimos por muito tempo. [/Josi]
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Requiem (Réquiem)

[Cleide] Chegamos finalmente em nossa maratona, na fase mais dolorosa da série... muito choro e ranger de dentes deste episódio para frente. Entretanto, não agora, só no final...

Réquiem significa um canto em homenagem aos mortos, como despedida. Inicialmente, não é o que pensamos do episódio, apesar do nome lúgubre. Começamos nostalgicamente em Bellefleur, Oregon, onde tudo começou. E adentramos ao escritório de Mulder, vendo-o sendo sabatinado pelo auditor do FBI, que questiona os gastos altíssimos do departamento. É lindo ver Scully tão serena, sem o menor pingo de intimidação ao dizer "nos arquivos x abrimos portas, que levam a outras portas", foi-se embora todo aquela necessidade de estar dentro das regras, aquele medo de transgredir. 

Ao receberem a ligação de Billy Miles, é ela que diz "vamos lá gastar dinheiro"... é como se nossos protagonistas lessem os pensamentos um do outro, se dúvidas, estavam vivendo uma das melhores fases da vida deles, como diria Scully "Well, I'm fairly happy. That's something".

A viagem para Oregon é uma sucessão de dejavus. E a nostalgia vai crescendo em nós. Particularmente, não li spoilers na época, mas estava acompanhando as notícias de David estar cansado da série, e as exaustivas negociações. Sabia que era incerto o futuro de Mulder, mas nada prepara a gente para este episódio... e sabendo disso, cada personagem do Piloto que aparece para fechar o ciclo, vai deixando a gente mais e mais sentimental, assim como os protagonistas.

Chegando na cidade, percebem que os abduzidos estão sendo levados, e a nave ainda se encontrava no local, se recompondo. Mulder, percebe a gravidade da situação, e prevê que quem fosse levado agora, não seria devolvido, era um recolhimento de provas.

Reaparece em cena Kriceck, Covarrubias e Cancerman, o louco, no fim da caquética vida, ainda quer fazer maldades, refazer o pacto com os ets... então, todo mundo atrás da nave, e o caçador de recompensas bem debaixo de todos os narizes, disfarçado de xerife.

Três cenas de Mulder e Scully são extremamente emocionais neste episódio. A primeira na casa de Teresa Newman, quando Mulder observa Scully carregando o bebê e seu olhar é tão cheio de amor e tristeza que chega a doer. A cena em que Scully não sabe o que se passava com ela, acha que está doente de novo, e vai procurar conforto e calor na cama de Mulder, e eles tem aquele diálogo tão significativo: "Talvez o custo pessoal seja alto demais, há tanto mais para fazer de sua vida". Eu achava um tom de Mulder querendo seguir sem Scully no passado, mas agora assistindo, eu sinto mais um tom de que se fechassem o departamento estaria ok, eles seguiriam com outros significados na vida...

E finalmente aquela cena de "última ceia", no FBI, em que ficam tentando determinar aonde está a nave, e Scully, extremamente tensa, sai da sala, e Mulder diz que não a deixaria ir, pois não poderia arriscar perdê-la. Scully, segurando uma lágrima: "e eu não vou deixar você ir sozinho".

A sequencia final é dura... Scully olha as fichas médicas dos abduzidos, e eles todos apresentavam as alterações neurais que Mulder apresentou no final do ano, constatando que não era ela quem estava em perigo... era Mulder, e então colapsa. corta para Mulder com Skinner, que num momento vê o agente, no outro momento o perde de vista... e nós, desesperado, o vemos entrar maravilhado? Hipnotizado? Apavorado? No campo de força da nave e sendo levado, talvez para não voltar.

Scully reaparece no hospital, e Skinner em péssimo estado vai dizer que perdeu Mulder (quem estava preparado para ver Skinner chorando? Eu não!). E então, a agente revela o inacreditável (eu quase caí do sofá na primeira vez), entre um choro sentido, e um riso que escapa sem querer ela diz "nos vamos encontra-lo, eu tenho que encontra-lo" (guardando algo que só ela sabe), e emenda que estava com dificuldades de acreditar, mas estava GRÁ-VI-DA... 

E assim, com essa notícia inesperada, e sem Mulder, terminamos a leve, feliz fase da vida de nossos protagonistas, e entramos incertos na oitava temporada... [/Cleide]
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12 comentários:

Carina Moreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carina Moreira disse...

O último episódio dessa temporada, assim como os que vieram após ele, inauguraram uma fase negra. Porém, e o bom é que sempre existe um, coisas boas que ficam muito claras:
1º A amizade de Skinner com nosso amado casal, opa quero dizer dupla de agentes Scully e Mulder; O cara se desbanca aos cafundó só para não deixar o narigudo sozinho... sem esquecer é claro que fez isso como um favor a ruiva que faz autópsia. kkkkkkkkk
2º Diferente de outros episódios, aqui Mulder e scully não escondem seus sentimentos, todo amor, cuidado e medo estão expostos. Réquiem deixa claro que não havia mais como esconder nada, o amor entre eles é visível de Marte!
3º Também fica claro que Os Pistoleiro, assim como Skinner, são uma espécie de família para os nossos agentes preferidos, estando presentes em momentos cruciais daqui para frente!
Aí, aí! E ainda teve a longa espera para saber se era menino ou menina... Ainda me lembro da expectativa e ansiedade que passei naquele tempo.

Anônimo disse...

Gosto de alguns episódios da sétima temporada. Mas a essa altura a série já dava claros sinais de cansaço. O Duchovny estava estava certo. Era a hora de parar. Gostei muito de a série ter voltado e acho que essa nova temporada vai nos surpreender positivamente. Mas naquela época e naquelas circunstâncias a série já tinha dado o que tinha que dar.

XFILES disse...

Olá, pessoas!

Seus comentários foram todos no ponto, Carina. Concordo em td. E tb concordo contigo, anon.

Mas o mais interessante, é que, agora que estou quase terminando a maratona e a nona temporada posso dizer com mais propriedade com a memória refrescada, os episódios destas últimas temporadas são muito bons. A qualidade de roteiro e dos episódios é muito boa e eles meio que voltam para o clima das primeiras temporadas mas com a experiência e os recursos de quem já faz isso a anos. Da oitava, eu só reclamo da forma como eles introduzem Doggett e a manipulação pra gente gostar dele logo. rs

Espero também que essa nova temporada seja tão boa quanto parece ser. Na torcida aqui... e com muita ansiedade! kkkkk

Faltam 5 dias, pessoal. ai ai

Beijos,

Josi.

Carina Moreira disse...

Minha família já esta avisada, no dia 24 até o último segundo do episódio duplo da nova temporada de Arquivo X, o controle da TV será confiscado (para desespero das crianças e do meu pai também kkkkkkk). A Fox só não contará com minha pela manhã, pois irei a Igreja, depois meu povo... A pipoca já foi comprada e será uma overdose de X Files. E se segunda as oito no trabalho eu estiver morrendo de sono será por uma boa causa. Eita ansiedade! Tô parecendo criança na véspera de Natal! kkkkkkkk

XFILES disse...

Mas é que a gente tá recebendo nosso presente de Natal só agora. kkkkkk

Carina, uma dúvida: você conferiu a programação da FOX e eles vão mesmo passar a maratona no domingo? A divulgação deles ficou meio confusa pra mim...

Beijos,

Josi.

Carina Moreira disse...

Vi no domingo o anúncio no próprio canal da Fox, o episódio ira ao ar a zero hora do dia 25/01, só não sei se legendado (na página do Facebook diz que é), e a maratona começa a zero hora do dia 24/01. Dia 26/01 vai ser exibido o episódio dublado.

Carina Moreira disse...

Ah e desculpa esqueci de postar Beijos! kkkkkkkkkkkkkk

XFILES disse...

Ah, Valeu! É que tem lugares que a Fox falou que o primeiro episódio ia passar dia 25/01 às 23:59... daí a pessoa aqui fica confusa. kkkk

Beijos!

Josi.

Carina Moreira disse...

Na verdade acho que como a estreia será simultânea, então deve ter havido um engano com o fuso, pois estamos em pleno horário de verão. Isso talvez explique essa hora de diferença.

XFILES disse...

Fui checar a programação agora e a transmissão do primeiro episódio não vai ser simultânea não... lá vai passar dia 24, aqui só no dia seguinte. Mas daí eles vão emendar os dois primeiros episódios.... ;)

Beijos,

Josi.

Leonardo Moreira disse...

Tô conhecendo a série por agora, maratonando sem parar e é uma das melhores coisas que vi na vida!
E logo após cada episódio gosto muito de ler as análises de vcs!
Parabéns pelo trabalho!
Tô na sétima temporada e ficando triste pq estou chegando ao fim. Hahaha.
Mulder e Scully formam o melhor casal de todos, por toda a forma q a relação é retratada desde o princípio.